O ano é 1981. O sindicato Solidariedade sacode a Polônia reprimida pelo regime comunista. A seu modo, os adolescentes que integram uma banda punk da produção polonesa “Tudo o que amo”, do diretor Jacek Borcuch, vão viver o seu verão de liberdade. Exibido no Festival de Sundance, o filme foi o representante da Polônia nas indicações ao Oscar de filme estrangeiro de 2010.
É um delicado retrato de geração o que se delineia na tela, colocando em primeiro plano os sonhos, angústias, brincadeiras e aventuras dos jovens Janek (Mateusz Kosciukiewicz), seu irmão Staszek (Mateusz Banasiuk) e amigos como Kazik (Jakub Giersal) – que de vez em quando falta às aulas para esconder as marcas dos espancamentos seguidos de seu pai, o que não abala nem a ousadia e nem a ironia do garoto. Enfrentar esse pai violento é sua forma pessoal de resistência.
Contrariando o clichê, o pai de Janek e Staszek (interpretado por Andrzej Chyra, visto em Elles e Katyn), que é militar, é uma pessoa notavelmente aberta e liberal, que evita envolver-se com as manobras cada vez mais autoritárias de um regime abalado pelas manifestações pró-democracia. A mãe (Anna Radwan), é enfermeira e constata de perto a precariedade das condições de trabalho.
Conscientes da instabilidade desse contexto político, incorporado nas letras agressivas e libertárias de sua banda, os garotos estão mais interessados em experimentar o sexo e o amor. Para Janek, começa um romance com a colega Basia (Olga Frycz).
A política, porém, impõe-se sobre o cotidiano, quando o presidente-general Wojciech Jaruzelski (aparecendo em noticiário verídico da época) decreta lei marcial, que implica o fechamento das escolas e toque de recolher, além de várias prisões, como do pai de Basia – criando um obstáculo ao seu envolvimento com um filho de militar como Janek.
Os tempos sombrios se fecham sobre a família, com a doença da avó paterna (Elzbieta Karkoszka) – proporcionando à história uma bem-vinda digressão, que proporciona algumas das melhores cenas do filme, retratando uma conversa do pai de Janek com seu próprio pai (Zygmunt Malanowicz), que guarda a memória da Polônia antes da II Guerra, e de Janek com seu pai, num momento fortemente emotivo.
Há muito humor na maneira como a história acompanha as aventuras eróticas de Janek com uma vizinha mais velha, a fogosa mulher do capitão Sokolowksi (Katarzyna Herman).
De maneira muito consistente, o filme do diretor e roteirista Jacek Borcuch – que tem um passado como ator - desenvolve um retrato sólido e nuançado de geração e de um período crucial na história de seu país. Tanto para os jovens, quanto para os habitantes da nação, vai ser imperioso encontrar novas saídas para amadurecer.
