10/07/2026
Drama

De volta para casa [2012]

Quando criança, Gaëlle é sequestrada. Fica em cativeiro por 8 anos, até que seu sequestrador resolve abrir a porta. Quando volta à liberdade, encontra dificuldades de se readaptar e conta com a ajuda de uma psicóloga.

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O drama francês De volta para casa é capaz de gerar mais curiosidade e deixar o público mais intrigado do que dá conta. Mas é de se elogiar que o diretor e roteirista Frédéric Videau se arrisque a imaginar o que poderia haver por trás de uma situação extremamente traumática, baseada em fatos reais. Um letreiro no começo explica que esta é uma obra de ficção, embora tenha muitas semelhanças com o caso da austríaca Natascha Kampusch, que passou oito anos sequestrada, dos 10 aos 18 anos, sob o domínio de seu captor, Wolfgang Priklopil. A trama gira em torno de uma vítima, Gaëlle (Agathe Bonitzer), e seu sequestrador, Vincent (Reda Kateb), que igualmente a mantém em cativeiro por quase uma década.
 
De volta para casa é narrado em idas e vindas no tempo, uma fragmentação que procura materializar a confusão mental de Gaëlle, que durante 8 anos não tem qualquer contato com o mundo externo. Quando criança – nessas cenas interpretada por Margot Couture – foi raptada na porta da escola por Vincent, um operário solitário.
 
Se num primeiro momento existem revolta e tentativas de fuga, com o tempo a menina parece resignar-se ao seu destino, fazendo do porão da casa de Vincent o seu mundo. É nesse cômodo estreito que passa da infância à adolescência, lendo, ouvindo música e esperando o que o futuro lhe reserva. Logo na primeira cena, vê-se o intrigante final da história, em que o sequestrador a liberta – mais adiante, se explicará porquê. Uma parte da narrativa acompanha o cativeiro, quando os dois desenvolvem uma estranha relação – que não seria amor, nem amizade, mas também não é apenas ódio que nutre os laços.
 
Outras cenas mostram Gaëlle em sua vida de liberdade, quando reencontra a mãe (Noémie Lvovsky) e o pai (Jacques Bonnaffé), que se divorciaram. A volta da moça para casa não é apenas motivo de alegria, já que precisa readaptar-se a um ambiente que não ficou parado no tempo enquanto ela esteve fora. Uma psicóloga (Hélène Fillières) a ajuda a lidar com os sentimentos conflitantes – entre eles, vários tipos de culpa.  
 
A força do filme – que foi exibido em competição no Festival de Berlim – está nas interpretações de Agathe e Kateb, que buscam o que há de mais humano e contraditório em seus personagens. Acertadamente, o longa não busca justificativas ou psicologismos para explicar os personagens. Assim, temos um retrato, se não tão denso, ao menos sincero dessas duas figuras atormentadas.
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