18/07/2026

Quando sua irmã Elena foi para Nova York tentar ser atriz de cinema, Petra Costa sentiu sua falta. Ainda era criança quando ela se suicidou. Neste documentário, Petra, que também é atriz, resgata a história de sua irmã, tentando compreender suas razões.

post-ex_7
Um trailer espalhado pela internet nos últimos tempos pergunta “Quem é Elena?”. Famosos – de Wagner Moura a Alexandre Borges – perguntam quem é ela e ainda fornecem algumas informações sobre a moça. Esse vídeo, de certa forma, não apenas instiga a nos perguntarmos ‘Quem é Elena?’, mas também mostra que a diretora Petra Costa – irmã da referida Elena – tem as conexões certas no meio artístico.
 
O documentário Elena , mais que um filme, é um ritual de exorcismo de uma irmã buscando meios para lidar com a perda de outra. Quando era criança, com apenas 7 anos, Petra perdeu a irmã mais velha, Elena, aspirante a atriz que se matou. Combinando filmes caseiros da família, gravações em áudio que Elena mandava para a família quando morava em Nova York, o documentário desconstrói uma figura contraditória e fascinante.
 
A fascinação é tão grande que Petra não consegue se livrar, impondo algum distanciamento – e desse embate resulta um documentário frágil, que nem sempre se sustenta. “Quem é Elena?” ecoa durante todo o filme. É uma pergunta que não é possível responder. 
 
Esse réquiem, no entanto, reflete o processo da própria diretora em elaborar o luto de algumas décadas, às vezes de maneira excessiva, especialmente na duração de diversas sequências (inclusive em muitas em que ela aparece e nem sempre se justificam). É um filme barroco, repleto de composições visuais que se esvaziam em si mesmas. Por mais instigante que o trailer fosse, o longa é frágil em sua tentativa de captar sua figura de estudo, porque, retirado o motivo pessoal, Elena se dilui.
post