Um trailer espalhado pela internet nos últimos tempos pergunta “Quem é Elena?”. Famosos – de Wagner Moura a Alexandre Borges – perguntam quem é ela e ainda fornecem algumas informações sobre a moça. Esse vídeo, de certa forma, não apenas instiga a nos perguntarmos ‘Quem é Elena?’, mas também mostra que a diretora Petra Costa – irmã da referida Elena – tem as conexões certas no meio artístico.
O documentário Elena , mais que um filme, é um ritual de exorcismo de uma irmã buscando meios para lidar com a perda de outra. Quando era criança, com apenas 7 anos, Petra perdeu a irmã mais velha, Elena, aspirante a atriz que se matou. Combinando filmes caseiros da família, gravações em áudio que Elena mandava para a família quando morava em Nova York, o documentário desconstrói uma figura contraditória e fascinante.
A fascinação é tão grande que Petra não consegue se livrar, impondo algum distanciamento – e desse embate resulta um documentário frágil, que nem sempre se sustenta. “Quem é Elena?” ecoa durante todo o filme. É uma pergunta que não é possível responder.
Esse réquiem, no entanto, reflete o processo da própria diretora em elaborar o luto de algumas décadas, às vezes de maneira excessiva, especialmente na duração de diversas sequências (inclusive em muitas em que ela aparece e nem sempre se justificam). É um filme barroco, repleto de composições visuais que se esvaziam em si mesmas. Por mais instigante que o trailer fosse, o longa é frágil em sua tentativa de captar sua figura de estudo, porque, retirado o motivo pessoal, Elena se dilui.
