Trazendo a assinatura dos irmãos Joel e Ethan Coen no roteiro, Um Golpe Perfeito, de Michael Hoffman, refilma o suspense cômico Como Possuir Lissu (1966), procurando, em vão, reeditar a sutileza do original.
A busca do crime perfeito, uma temática que frequenta a obra dos Coen em chaves mais ou menos dramáticas, de Fargo (96) a Matadores de Velhinha (2004) e Onde os Fracos não têm Vez (2007), é o centro da trama. Os protagonistas são um curador de arte, Harry Deane (Colin Firth), um falsificador de quadros, o major Wingate (Tom Courtenay), e um milionário, Lionel Shahbandar (Alan Rickman).
Harry, que trabalha para Shahbandar, não suporta mais o patrão grosseiro e abusivo. Decide, então, passar-lhe a perna, fazendo-o comprar por muitos milhões um quadro falso, como se fosse uma raríssima paisagem de Claude Monet que ele procura há anos. Para o plano dar certo, Harry recorre a uma norte-americana, a rainha dos rodeios no Texas PJ Puznowski (Cameron Diaz), que vai passar-se pela dona do falso quadro, vendendo-o por uma fortuna ao colecionador. Depois disso, o dinheiro, bem entendido, será dividido entre os larápios.
Como todos os planos, ele só é perfeito no papel. Desde sua chegada, PJ dá prejuízos a Harry, que tem de encarregar-se de sua hospedagem no mais caro hotel de Londres, o Savoy, para impressionar Shahbandar. Para piorar, a moça se entusiasma por todo o luxo e riqueza e também não é indiferente às cantadas do milionário.
Outro adversário de Harry é um especialista alemão em arte, Martin Zaidenweber (Stanley Tucci), que foi chamado por Shahbandar para examinar o quadro – o que pode pôr em risco toda a tramoia.
Diretor de filmes como o drama A Última Estação e o romântico Um Dia Especial, o diretor Michael Hoffman mostra-se um comandante pouco apropriado a este tipo de comédia sutil, não conseguindo extrair o devido ritmo das gags, nem suficiente energia de seu bom elenco.
Não há muita química, igualmente, entre Firth e Cameron, que deveriam acender uma fagulha erótica mais forte. Esta foi apenas uma das muitas situações que não renderam na tela. Teria sido melhor que os próprios Coen dirigissem o material, provavelmente o resultado seria superior.
