Quem conhece o livro sabe também de sua vocação cinematográfica. Publicado em 1973, o romance é repleto de ação, já que é em grande parte composto por diálogos agrupados de maneira peculiar, onde a descrição é rápida e se limita a contextualizar o comportamento dos personagens. Outra parte é formada por notícias e numerosos documentos oficiais que a burocracia do Exército exige. Mesmo optando por não incluir os fanáticos religiosos conhecidos como Irmãos da Arca, a fita consegue resumir a idéia contida na citação inicial de Flaubert, de que há homens que seguem modelos e fazem deles sua única razão de vida.
Um deles é Pantoja (Salvador del Solar) que, mesmo casado com uma bela mulher, não se interessa muito pelos prazeres da carne e dedica toda a sua energia ao trabalho. Ele e a jovem esposa Pochita (Monica Sánchez) são enviados a Iquitos, onde vem acontecendo um número grande de estupros atribuídos tanto aos soldados do Exército, quanto ao clima abafado - apresentado de forma criativa pela fotografia do filme. A missão do capitão certinho é colocar em funcionamento um serviço de prostitutas, quer dizer, visitadoras, na linguagem cifrada dos militares, para saciar a sede dos marmanjos fardados. O sigilo da operação é, no entanto, ameaçado pela Voz do Sinchi, influente programa de rádio ouvido por todo o povoado, que irá se encarregar de espalhar a notícia.
Ajudado por Chuchupe (Pilar Bardem, mãe do bonitão Javier Bardem), uma experiente cafetina da região, Pantoja recruta as mais belas "mulheres de vida fácil", entre elas a estonteante Colombiana, para trabalharem como visitadoras. O serviço cresce proporcionalmente às divertidas confusões que geram e a lida diária com as mulheres da "Pantolândia" põe à prova até a fidelidade de Pantita, como é carinhosamente chamado pela esposa.
Llosa escreveu, simultaneamente ao livro, um roteiro filmado em parceria com José María Gutierrez a quem dedicou Pantaleão e as Visitadoras. A obra, todavia, acabou tendo inúmeros problemas nas filmagens, que foram proibidas pelo regime militar peruano da época e acabaram sendo transferidas para a República Dominicana. Sobre o filme de 1975, cuja personagem mais sexy é conhecida como Brasileira, Llosa disse numa entrevista: "Creio que é melhor que não o tenham visto no Brasil, porque não valia grande coisa." Quanto a esse novo olhar sobre sua obra, que agora chama a mais bela entre as visitadoras de Colombiana, o escritor afirma: "Lombardi deu uma nova dimensão ao personagem de Pantaleão e à obra em sua totalidade."
Cineweb-21/6/2002
