O diretor húngaro Szabolcs Hajdu flerta, namora e casa com o realismo mágico em Cabaré Biblioteque Pascal – filme repleto de estranhamentos que parece despertar amor e ódio em proporções iguais por onde passa, desde sua estreia no Festival de Berlim de 2010. A trama é um longo flashback contado por Mona (Orsolya Török-Illyés), que tanta recuperar a guarda da filha, que deixara com uma tia vidente.
Seu calvário envolve um casamento que não dura muito com Voirel (Andi Vasluianu), e uma temporada no bordel-título. Este, aliás, é um local peculiar. Cada cômodo tem o nome de uma personagem literária famosa – Desdêmona, Santa Joana, Pinóquio etc. Dentro dele a fantasia sexual incorpora trama da obra em que se baseia. Mona, é claro, estranha, mas acaba obrigada a entrar no jogo promovido por Pascal (Shamgar Amram), uma espécie de mágico dono do local.
Hajdu não se deixa amarrar por nenhum tipo de realismo e entrega o filme a devaneios narrativos e estéticos. O visual colorido é sedutor, e o estranhamento crescente, persuasivo. É preciso deixar se levar pela mente criativa do diretor, sem muitos questionamentos, e se entregar aos seus delírios.
