A comédia dramática uruguaia Tanta Água tem um quê de Sofia Coppola – a protagonista é uma jovem descobrindo o amor e os percalços da vida – mas, nem por isso é uma cópia ou carece de originalidade ou personalidade. Pelo contrário, as estreantes Ana Guevara e Leticia Jorge sabem exatamente o tamanho de seu filme e seus personagens, e com isso criam uma trama delicada sobre o amadurecimento de uma adolescente de 14 anos.
Em Tanta água chove o tempo todo, mas outra tempestade acontece: a descarga de hormônios juvenis em Lucía (Malú Chouza), que em companhia do pai, Alberto (Néstor Guzzini), e do irmão pequeno, Federico (Joaquin Castiglioni), vai passar as férias de verão numa colônia e chove o tempo todo. Sem poder aproveitar a piscina, a garota começa e explorar o local, faz uma nova amiga, Madelin (Sofia Azambuya), e se encanta por Santi (Pedro Duarte) – que acaba se tornando o elemento da discórdia entre elas.
Lucía é o foco, e o filme é construído a partir dela investigando suas relações pessoas com os personagens que a cercam nessa temporada. Desde o pai meio omisso que tenta se reconectar com os filhos – e também se envolvendo com uma moradora local – até a amizade meio conturbada com Madelin e a paixão que nunca se concretiza, com Santi. Lucía é uma menina tímida, um pouco criança ainda, especialmente quando está perto do irmão, que descobre o mundo e suas possibilidades exatamente nessas férias, quando não tem muito o que fazer.
Transitando entre o humor e a melancolia, as diretoras encontram na jovem atriz a interprete ideal para fazer essa personagem tão cheia de dúvidas e sentimentos à flor da pele, em busca de descobertas e satisfações que só a sua idade pode lhe dar.
