03/06/2026
Drama

A última estação

Junho de 1950: Ainda adolescentes, o libanês Tarik e o irmão mais novo, Karim, vêm tentar a vida no Brasil. No navio, fazem amizade com outros meninos árabes. Ao chegarem ao Brasil, cada um segue o seu caminho e os anos passam Setembro de 2001: O velho muçulmano Tarik perde a mulher e sente que precisa cumprir algumas promessas antes de morrer. Abandona tudo e atravessa o Brasil, na companhia da filha Samia, em busca dos meninos que fizeram com ele a travessia, 51 anos antes.

post-ex_7
Não é nada má a ideia de ficcionalizar a saga dos imigrantes libaneses no Brasil, em que são um dos mais expressivos grupos. É o que faz A Última Estação, de Márcio Curi, melodrama apoiado num bom elenco e razoável reconstituição de época, que derrapa, no entanto, em excessos e irregularidades.
 
Dividido em dois tempos, o roteiro de Di Moretti começa em 1950, quando vêm para o Brasil os irmãos Tarik (Mohamad Rabah) e Karim (Frederick Hobeika). Um detalhe interessante é que a história focaliza os libaneses muçulmanos, detalhe pouco lembrado nesta imigração, já que a maioria da comunidade hoje é cristã. No navio, os dois jovens dividem experiências com outros imigrantes, que depois se espalham pelo Brasil, a partir da chegada.
 
Mais de 50 anos depois, Tarik (interpretado pelo ator libanês Mounir Maasri) enviuvou. E sente que chegou a hora de cumprir algumas promessas que ele abandonou pelo caminho. Acompanhado pela filha Sâmia (Klarah Lobato), ele começa uma viagem por diversos pontos do Brasil, em busca dos antigos companheiros do navio. Assim, vive momentos dramáticos, como chegar à casa de um amigo que já morreu, e engraçados, como na Bahia, onde uma mulher animada e desinibida, Ciça (Elisa Lucinda), começa a balançar o coração do viúvo.
 
A direção de Curi, um experiente produtor, de filmes como o premiado As Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo, não dá conta satisfatoriamente de equilibrar o melodrama, nem dar consistência suficiente aos personagens. O exagero do esforço em mostrar paisagens e atrações de Belém do Pará, por exemplo, injetam às vezes um ar de comercial de turismo, que contribui para um resultado irregular do todo.
post