20/07/2026
Documentário

Sobral: o homem que não tinha preço

Documentário resgata a figura do advogado Sobral Pinto, que se tornou célebre pela defesa de presos políticos na ditadura militar e como incansável batalhador pelos direitos humanos.

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O jurista Heráclito Sobral Pinto (1893-1991) é famoso por uma frase, pronunciada no auge da ditadura brasileira, ao tentar explicar para um oficial que não havia como criar adjetivos para classificar o momento institucional em que vivia o país. "Não existe democracia à brasileira; só existe peru à brasileira". Ao final de uma entrevista a um jornalista, no mesmo período, o questionou: "você vai publicar na íntegra o que eu disse?" E deu uma sonora gargalhada. Ele sabia que não cabia ao repórter a decisão de publicar sua opinião. Mesmo assim ele soltava o verbo. Era assim que o jogo era jogado. E ele fazia a sua parte.
 
Esse é o Sobral Pinto que vemos no documentário Sobral: o homem que não tinha preço, da diretora Paula Fiuza. Neta de Sobral Pinto, ela atualiza para uma nova geração de brasileiros o retrato de um dos mais importantes juristas do país, sempre engajado na defesa do regime democrático e de causas impossíveis em períodos marcados pelo obscurantismo. Foi advogado do líder comunista Luís Carlos Prestes durante a ditadura de Getúlio Vargas, na década de 1940, e defendeu de forma intransigente o estado de direito durante a ditadura militar de 1964.
 
“Sobral – o homem que não tinha preço” é um documentário simples, mas bem conduzido e recheado com ricos depoimentos de familiares, advogados, políticos e outros personagens que conviveram com o jurista ao longo da vida. Todos destacam seu desprendimento dos bens materiais e sua coragem em defender presos políticos durante regimes de exceção.
 
Nas audiências no Superior Tribunal Militar, ao defender presos políticos durante a ditadura de 1964, negava o valor das confissões obtidas sob tortura. “Ele era a própria encarnação do Direito”, define o ex-preso político Rogério Duarte, detido nesse período e defendido por Sobral.

Apaixonado por futebol e torcedor fanático do América do Rio de Janeiro, só perdia o bom humor quando seu time era derrotado. Mesmo assim, ficava sempre ao lado do mais fraco: a culpa era sempre do juiz. 

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