15/06/2026
Drama

La jaula de oro

Juan, Samuel, Sara e Chauk são quatro adolescentes guatemaltecos, que embarcam numa jornada perigosa, através do México, para chegar aos EUA. No caminho, policiais corruptos, gângsters e traficantes ameaçam seus sonhos e os de outros imigrantes.

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Há uma urgência realista e documental no drama La Jaula de Oro, em que o cineasta espanhol Diego Quemada-Díez revê a incessante saga dos imigrantes ilegais da América Central, tentando atravessar o México para chegar aos EUA. O filme ganhou um prêmio especial para seu elenco na mostra Un Certain Regard, em Cannes 2013, e dois outros troféus na mais recente Mostra Internacional de São Paulo.
 
O realismo se reforça no fato de que este elenco é formado de atores amadores, que impregnam a narrativa de uma naturalidade que a sustenta. O grupo é formado por Juan (Brandon López), Sara (Karen Martínez) – que, prudentemente, disfarça-se como um rapazinho, “Osvaldo” -, Samuel (Carlos Chajon) e Chauk (Rodolfo Domínguez), índio que nem sequer fala espanhol.
 
A vulnerabilidade dos garotos é tão evidente quanto sua vontade de superar os inúmeros perigos da travessia – que incluem policiais corruptos, ataques de gangues e a necessidade, para fazer caixa, de trabalharem como “mulas” a serviço de traficantes.
 
Fora os riscos à volta, sua própria coesão é posta à prova por emoções típicas da adolescência. Juan quer as atenções de Sara e rejeita ciumentamente a presença de Chauk, que insiste em não desligar-se do grupo. Samuel desanima de prosseguir viagem e resolve voltar para sua Guatemala natal – ainda que aquele país não reserve grandes possibilidades de trabalho ou da vida melhor que ele procurava.
 
Delicada mas firmemente, o diretor conduz o público a compartilhar dos sentimentos e apuros destes jovens, cuja jornada se repete, não raro, diversas vezes. Eles são roubados, presos, devolvidos, mas insistem, ainda que sua meta não seja mais do que um Eldorado incerto, onde o que os espera são empregos precários, mal-pagos e não raro insalubres nos EUA. Isto, é, para os que sobrevivem ao calvário da viagem.
 
La Jaula de Oro expõe uma chaga aberta, um círculo vicioso de pobreza, criminalidade e indiferença, repetindo-se incessantemente por estradas sem proteção nem lei, cujos viajantes não têm rosto, nem direitos, nem nomes lembrados. Com isso, contribui para ativar uma memória humanista e militante de uma das tragédias não-superadas do continente.
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