28/04/2025
Infantil Animação

Tinker Bell - Fadas e Piratas

Zarina é uma fadinha levada, que desafia as proibições do Refúgio das Fadas, fazendo experiência com seus pós mágicos. Para piorar, ela se envolve com uma turma de piratas, entre eles, o jovem James Hook, futuro Capitão Gancho. Eles querem usar os pós para fazer voar seu navio, mas Tinker Bell e as outras fadas vão entrar em ação.

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Quando Sir James Matthew Barrie criou uma companheira leal para Peter Pan em suas aventuras, decidiu que ela deveria ser uma fada, às vezes, carinhosa e atenciosa, e outras, mimada, ciumenta e mal-humorada. A peça de 1904 foi transposta para o filme homônimo da Disney de 1953, Peter Pan, e a personagem, então chamada de Tilintim na dublagem brasileira, manteve seu jeito arredio e conquistou fãs por gerações e gerações, que passaram a chamá-la de Sininho, alcunha incorporada nas novas versões da história. Mas, ao ganhar um filme próprio em 2008, o Brasil passou a conhecê-la pelo seu nome original, Tinker Bell; porém, ela apresentava uma personalidade mais doce do que a de antes.
 
O sucesso de Tinker Bell: Uma Aventura no Mundo das Fadas (2008), lançado direto em DVD, motivou a criação da franquia Disney Fadas e a produção de novos títulos com a personagem. Vieram Tinker Bell e o Tesouro Perdido (2009) e Tinker Bell e o Resgate da Fada (2010), diretamente em home video, e Tinker Bell: O Segredo das Fadas (2012), com lançamento restrito nas salas dos Estados Unidos e também no Brasil.
 
Agora é a vez de Tinker Bell – Fadas e Piratas (2014) chegar aos cinemas, inclusive com cópias 3D, sob a direção de Peggy Holmes, a responsável pelo longa anterior da série – e o mais fraco, por sinal. A animação traz a história de Zarina (voz de Christina Hendricks), uma fada curiosa que gosta de fazer experiências com o pó mágico, tanto o tradicional dourado quanto o escasso e poderoso azul, algo completamente proibido no Refúgio das Fadas. Repreendida por transgredir as regras, ela rouba o pó cor de anil e se junta a um bando de piratas, liderados por James (Tom Hiddleston, no original, e Caio Castro, com uma dublagem que soa estranha na versão brasileira), que desejam que a pequena corsária faça a embarcação deles voar.
 
Sim, estamos falando de James Hook, o famoso Capitão Gancho, apresentado aqui em sua juventude, ainda com as duas mãos, mas já com seu caráter dúbio. Exceto algumas citações à Terra do Nunca e uma pequena aparição de Wendy no capítulo inicial da franquia, é a primeira vez que ela se aproxima mais do mundo apresentado pelas aventuras de Peter Pan, algo que, para os espectadores de menos idade, poderá passar despercebido. A questão é saber se há uma intenção de introduzir o menino que não queria crescer no universo criado no Refúgio das Fadas, e se a série terá fôlego para isso.
 
O roteiro está bem longe da complexidade das animações modernas, com as quais o público atual, infantil ou adulto, está acostumado, por causa da Pixar – até da própria Disney, recentemente – e da Dreamworks. E não é preciso magia para adivinhar que Tinker Bell (Mae Whitman) e suas inseparáveis companheiras farão de tudo para reaver a fonte do pó mágico azul e mostrar o valor da amizade para Zarina.
 
Aliás, quem acompanha a franquia sabe que a amizade é um tema recorrente em todos os filmes, especialmente o segundo. Por isso, o assunto não estaria de fora desta nova história, assim como outras questões: a valorização do talento pessoal, foco do primeiro longa, volta a ser destaque com as habilidades de Zarina e a troca dos talentos da artesã Tinker Bell e de suas amigas fadas multitalentosas; o limite imposto pela autoridade está presente, como na primeira, terceira e quarta películas; e a jornada de resgate, igual à que ocorreu na terceira aventura.
 
Mas o quinto filme também traz como novidade a temática da relação com o poder, o que fazer com ele e o que ocorre quando este cai em mãos erradas, tudo através da trama sobre magia. Focando nisso, o longa, naturalmente, dá mais destaque para os novos personagens, Zarina e James, e deixa Tinker Bell e as outras fadas como coadjuvantes e alívio cômico, o que pode provocar estranheza para os fãs.
 
Assim, Tinker Bell – Fadas e Piratas é uma animação simples; não tecnicamente, pois os gráficos são bem realizados – e a utilização do 3D, apesar de se mostrar desnecessária, não é totalmente desperdiçada. Mesmo sem ser tão envolvente quanto os três primeiros filmes da série, ainda sim a produção cumpre o seu papel de entreter os pequenos por um pouco mais de uma hora.
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