Realizado durante a construçaÞo da Arena de Brasília, para a Copa do Mundo de 2014, o documentário conta a histoìria de operários da obra, vindos de diversos estados do Brasil, que participaram da Copa Solidaìria dos Operários da Bola, campeonato realizado no canteiro de obras, durante a construçaÞo do estádio - em abril de 2012.
- Por Neusa Barbosa
- 09/05/2014
- Tempo de leitura 2 minutos
Inaugurado em 1974, o estádio Mané Garrincha, em Brasília, foi reconstruído, a partir de 2010, por 9000 operários. No ambiente de uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, organizou-se, em 2012, um campeonato interno de futebol, a Copa Solidária Operários da Bola, com 64 times.
O documentário Operários da Bola, de Virna Smith, focaliza alguns momentos da fase final deste torneio e, em particular, alguns dos personagens cujo perfil é particularmente eloquente para decifrar os meandros da paixão futebolística que corre nas veias da maioria dos brasileiros.
O personagem mais impressionante, certamente, é o maranhense Manoel Oliveira Lima, o “Bala”. Aos 46 anos, ele é o craque do time dos peões, e não sem motivo: ele tem um passado de jogador profissional, tricampeão maranhense e com passagens no Atlético Mineiro e em time da Bélgica.
A trajetória de “Bala”, o goleador do time, é ilustrativa dos tropeços que a profissionalização pode sofrer no futebol, fruto da ação de empresários inescrupulosos, que tiram partido da imaturidade e desinformação de jovens talentos. Mas “Bala” está longe de ser um poço de ressentimento, encarando de frente os altos e baixos de sua vida em que, se lucro houve com seu talento com a bola, não parou no seu bolso.
Outro personagem marcante é “Canário”,o juiz das partidas, que faz minuciosas e divertidas descrições de tudo o que aprendeu num curso de árbitro. Vê-lo em ação nas partidas deixa claro que ele não está de brincadeira, mostrando-se mais aplicado do que muitos árbitros que apitam campeonatos profissionais.
Goleiro da equipe, o alagoano Philippe, que trabalha no escritório, é a expressão do sonho de alguém que quis ser jogador profissional, mas os pais temeram entregá-lo, ainda menino, a uma tentativa de profissionalização na Bahia. Frustrado naquela fase da vida, Philippe compensou no torneio amador do estádio brasiliense, pegando pênaltis e garantindo o título ao time, que aliás leva o seu nome. Para quem achar que o campeonato não foi levado a sério, as lágrimas copiosas de Philippe servem para demonstrar bem o contrário. Foi a catarse do sonho de uma vida inteira.
Estreando na direção de longas, a diretora nem sempre demonstra segurança na condução do filme, que tem vários vacilos de câmera e edição. O que salva o resultado final é o extraordinário material humano que o documentário conseguiu retratar.
