O diretor independente Mike Flanagan gosta de brincar com o espectador em seus filmes de terror, todos ainda inéditos no Brasil. Seja em Ghosts of Hamilton Street (2003), ou mesmo em Absentia (2011), ele deixa sempre uma porta aberta para explicações mais ortodoxas sobre as agruras, a princípio paranormais, pelas quais passam seus personagens.
Fez o mesmo no curta metragem Oculus: Chapter 3 - The Man with the Plan (2006), cujo pomposo nome apenas rivaliza com o vigor da produção. Aqui, um rapaz tentava provar que um antigo espelho é assombrado e passa longos minutos sofrendo aparentemente com espíritos, embora apenas gravasse delírios nas câmeras ao seu lado.
E essa é a base e inspiração de O Espelho, primeira aventura comercial de Flanagan, que contou com a ajuda de produtores mais experientes, como Jason Blum (da franquia Atividade Paranormal) para realizá-lo. Reescrevendo seu roteiro para o novo formato, o cineasta conseguiu assegurar que ficasse indivisível o espaço entre o surto psicológico e o ataque sobrenatural.
Na nova história, Tim (Brenton Thwaites) acaba de ser liberado de uma clínica psiquiátrica, onde esteve preso por dez anos pelo assassinato do próprio pai, Alan (Rory Cochrane). Depois de uma década de tratamento, entende o que ocorreu no fatídico dia: depois de descobrir a infidelidade do marido, Marie (Katee Sackhoff) surta e acaba assassinada por Alan que, transtornado, ameaça os dois filhos adolescentes Tim e Kaylie, quando é acidentalmente morto pelo garoto.
No entanto, Kaylie (Karen Gillan) tem uma versão muito diferente do que realmente aconteceu. E tudo começa com um antigo espelho que, assombrado, levou os pais a uma espécie de possessão. Diz até que os dois irmãos fizeram uma promessa de quebrá-lo, tão logo Tim fosse libertado.
Na nova história, Tim (Brenton Thwaites) acaba de ser liberado de uma clínica psiquiátrica, onde esteve preso por dez anos pelo assassinato do próprio pai, Alan (Rory Cochrane). Depois de uma década de tratamento, entende o que ocorreu no fatídico dia: depois de descobrir a infidelidade do marido, Marie (Katee Sackhoff) surta e acaba assassinada por Alan que, transtornado, ameaça os dois filhos adolescentes Tim e Kaylie, quando é acidentalmente morto pelo garoto.
No entanto, Kaylie (Karen Gillan) tem uma versão muito diferente do que realmente aconteceu. E tudo começa com um antigo espelho que, assombrado, levou os pais a uma espécie de possessão. Diz até que os dois irmãos fizeram uma promessa de quebrá-lo, tão logo Tim fosse libertado.
Para provar que está certa, a obsessiva Kaylie leva o espelho de volta à casa onde moravam na época e o cerca de câmeras. Arma inclusive um dispositivo que o quebrará, caso ela seja morta durante o experimento. Com as imagens, espera mostrar os fantasmas que vivem ali. E Tim, mesmo a contragosto, a acompanha.
Flanagan constrói sua narrativa, primeiramente, alternando entre o passado e o presente dos irmãos para apontar o que poderia ter acontecido realmente naquela casa (e potencializar a tensão do agora). Mais tarde, reúne os dois tempos no mesmo espaço, aproveitando-se da imersão da dupla no local, com seus traumas e obsessões. São os demônios do espelho ou os demônios internos dos irmãos que catalisam o que se vê na tela?
Em contraponto aos filmes mainstream do gênero (como Sobrenatural), que tendem a explicar em detalhes o que acontece (diminuindo a tensão narrativa), Flanagan evita didatismo, como se entende a partir de sua ainda pequena filmografia - reconhecida em premiações internacionais de terror.
Mas chama a atenção como ele repete algumas fórmulas em seus filmes. O maior exemplo é a pesquisa que Kaylie faz sobre o tal espelho, que remete imediatamente à realizada por Callie, a protagonista de Absentia. Também é possível perceber que o diretor tendeu mais para um lado nas hipóteses que levanta em O Espelho, influenciado, muito provavelmente, por um apelo mais comercial desta produção.
