19/07/2026
Terror

Annabelle

Prestes a terem um filho, Mia e John enfrentam um traumatizante episódio quando um casal de adoradores do diabo invade sua casa. Com a chegada da polícia, a lunática Annabelle se suicida pouco depois de realizar um ritual macabro com a participação de uma boneca no quarto do bebê. É o início dos martírios sobrenaturais que a família passará a enfrentar.

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Não há dúvidas que a boneca Annabelle foi um dos grandes destaques do aterrorizante Invocação do Mal (2013), apesar de sua pequena participação. Usado para apresentar a expertise de demonologia e vidência da dupla protagonista Ed e Lorrain Warren, o brinquedo ganha agora filme próprio, com foco em sua gênese demoníaca.

A história, alegadamente, tem um pé no real. É uma das mais conhecidas investigações paranormais realizadas pelo casal Warren (que de fato existiu), que desde a década de 1950 alega ter resolvido mais de 10 mil casos. Ed faleceu em 2006, mas deixou de herança à esposa um museu de artefatos amaldiçoados no quintal de sua casa, em Monroe, Connecticut, onde se encontra a boneca verdadeira.

Entende-se que as vivências dos Warrens são a fonte dos roteiros para esta franquia, que já tem anunciada também uma sequência para Invocação do Mal. Fica mais claro ainda, no entanto, o quanto são grandes as liberdades tomadas pelos roteiristas nestas versões para o cinema.

Esse é o caso de Annabelle. A trama escrita por Gary Dauberman (que fez um par de filmes ruins do gênero para a TV americana) simplesmente inventa como a boneca se torna um fantoche de um espírito demoníaco, que barbariza a vida de duas enfermeiras no filme de 2013. Na produção, que tem início um ano antes do que já se viu nas telas anteriormente, os distúrbios começam com o casal Mia (Annabelle Wallis) e John (Ward Horton).

Prestes a terem um filho, os recém-casados têm sua casa invadida por uma dupla de adoradores do demônio, entre eles Annabelle Higgins (atriz não creditada) – que pouco antes havia assassinado os próprios pais. Entre a luta e a chegada da polícia, a criminosa tem tempo de preparar um ritual macabro antes de cometer suicídio no quarto do bebê. Ao lado do corpo, vê-se a boneca ensanguentada.

Nos dias após os acontecimentos traumáticos, Mia e John passam a ser vítimas de fenômenos assustadores inexplicáveis. Mesmo depois de uma providencial mudança de endereço, o casal continua refém de ataques paranormais. Não demorará muito para Mia ter de enfrentar um demônio por trás da boneca e sua sede por almas.

Embora o início seja lento - mais parece uma novela -, o filme tem qualidades que o fazem funcionar. O diretor John R. Leonetti (do vexatório Mortal Kombat – A Aniquilação) segue as premissas do produtor James Wan, o responsável (na criação e direção) por esta e outras franquias de muito sucesso, como Jogos Mortais e Sobrenatural. Leonetti, aliás, foi até agora o fiel diretor de fotografia das investidas de Wan.

Sob as regras do cineasta de origem malaia, Leonetti logra compor uma atmosfera bastante tensa, com muito suspense, em ótimas cenas envolvendo o tal demônio. Porém, o desfecho surpreendentemente preguiçoso, que mostra como a boneca, enfim, vai parar com as enfermeiras, também decepciona.

Quando Annabelle estreou nos Estados Unidos com relativo sucesso, arrecadando US$ 37,2 milhões em bilheteria no primeiro fim de semana (menos do que Invocação do Mal, que fez quase US$ 42 milhões), muitos fãs da franquia reclamaram que a boneca fica em segundo plano em seu próprio filme. Mas como os Warrens já disseram (no filme e na vida real), espíritos não possuem objetos, mas sim pessoas.   
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