18/07/2026
Terror

Drácula - A História Nunca Contada

No século XV, quando os turcos ameaçam invadir o seu principado, o guerreiro Vlad – o Empalador decide ir para guerra. No entanto, sem um exército, acaba fazendo um pacto com uma misteriosa criatura para ter poderes extraordinários ao combater seus inimigos. Uma aliança que lhe custará muito caro.

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Não deixa de ser ambicioso, ou mesmo pretensioso, o título Drácula – A História nunca Contada. Imortalizado no imaginário popular a partir do romance gótico de Bram Stoker, de 1897, e nas dezenas de personificações no cinema (de Bela Lugosi, em 1931, a Gary Oldman, em 1992,para lembrar as mais icônicas), o personagem já foi revelado em múltiplas perspectivas e  dimensões. O que mais haveria para dizer sobre ele?
 
A resposta dos roteiristas novatos Matt Sazama e Burk Sharpless é justamente a sua origem, ou como um príncipe sanguinário tornou-se o mais famoso dos vampiros. Para isso, eles se inspiraram não só na obra de Stoker, mas também na suposta fonte dela, a figura do príncipe Vlad – O Empalador, que lutou contra o império otomano no século XV.  
 
Interpretado pelo ator Luke Evans, Vlad, aqui, é um soberano magnânimo, que no passado lutou junto aos turcos. Na violência das lutas, empalava exércitos inteiros para ser temido, daí a alcunha. Já de volta à terra natal, onde é um príncipe benevolente, passa a pagar tributos aos turcos para manter a autonomia de sua região.
 
No entanto, quando o sultão Mehmed (Dominic Cooper) exige que Vlad lhe entregue mil crianças de seu principado, incluindo seu filho, o soberano declara guerra. Como não tem tropas para derrotar o poderio turco, acaba fazendo um pacto com uma criatura misteriosa que vive nas montanhas, o mestre vampiro (Charles Dance, da série Game of Thrones).
 
No acordo, Vlad receberá poderes extraordinários por três dias. Se ele resistir à agonizante sede por sangue, volta ao normal, caso contrário, será para sempre um vampiro, livrando, por sua vez, o mestre da maldição. Trata-se, claro, de um jogo em que o criador manipula sua criatura.
 
Embora o argumento seja coerente para uma fantasia sobre a gênese de Drácula, em que monstros surgem para lutar contra outros monstros, as fragilidades desta narrativa, tal como sua execução, enfraquecem seu resultado. Se de um lado o vampiro se torna uma marionete, extraindo a força secular do personagem, de outro, as cenas contém desacertos, muitos deles lógicos – como a falta de um povo local, a quem o herói supostamente defende.

O diretor, também novato, Gary Shore se apropria dos efeitos digitais competentes, em uma acertada atmosfera sombria, mas perde a mão no desenvolvimento da história. Assim, os problemas de roteiro e a irregularidade do resto do elenco fazem com que o trabalho do ator Luke Evans sobressaia, fazendo parecer que é o único recruta a marchar no passo certo.         


De fato, o filme empurra para a frente a pergunta que, aqui, deveria ter sido respondida: a origem do vampirismo. Enfim, uma história ainda muito mal contada.
 

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