Separada do mundo atrás de um muro, a ilha de Sbórnia vivia num estado primitivo e fechado. Com a queda do muro, descobre-se o potencial da exploração intensiva de uma riqueza local, o bizuim. Há o perigo de desastre ecológico. No meio de tudo, rola um romance proibido entre um dos músicos sbornianos, Pletskaia, e a filha do capitalista-mor, Coclicot,
- Por Neusa Barbosa
- 29/10/2014
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Partindo do espetáculo teatral Tangos & Tragédias, de Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, que levou mais de um milhão de espectadores aos teatros gaúchos ao longo de três décadas, os diretores Otto Guerra (Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n Roll) e Ennio Torresan Jr. gastaram oito anos na difícil confecção do longa de animação Até que a Sbórnia nos Separe. Muito inventivo visualmente e trilhando rumos narrativos que as animações em geral não encaram, o filme revela-se uma distopia retrô, uma fantasia sombria para adultos. Nem por isso mostrou-se hermético – venceu dois prêmios de melhor filme para o público, no Festival de Gramado e na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, em 2013.
Inúmeras metáforas políticas impregnam o argumento central, que se inicia pela queda de um muro que separava a ilha de Sbórnia do resto do mundo. Primitiva em seus costumes e crenças, a ilha, com óbvias semelhanças com a antiga União Soviética e países da Europa do Leste, sofre um choque pela entrada brusca do capitalismo selvagem, que se apropria avidamente da exploração de uma substância local, o bizuim, preparando o caminho da devastação ambiental e da decorrente catástrofe ecológica e humana.
No meio de tudo, há um romance proibido, entre um dos músicos sbornianos, Pletskaia, e a filha do capitalista-mor, Coclicot, que serve para mover a trama, um tanto anárquica, apostando num ritmo que valoriza a ação e a fantasia.
Como seria de esperar por sua origem, a trilha musical, assinada por André Abujamra, é caprichada, incorporando várias músicas do espetáculo teatral, além do acréscimo de duas outras canções: Trevo de Quatro Folhas, de Nilo Sérgio, Mort Dixon e Harry Woods, e Rosa, de Pixinguinha e Otávio Rosa.
A sofisticação visual é incrível e será, certamente, valorizada nas exibições 3D, que estarão disponíveis em alguns locais. Trata-se da primeira produção inteiramente digital do estúdio, o valente Otto Desenhos Animados de Otto Guerra, que resiste há 35 anos na tentativa de realizar animações nacionais de qualidade.
