Num futuro próximo, os Estados Unidos estão mais perto de realmente ser a terra do sonho americano, com baixíssimas taxas de desemprego e criminalidade. Porém, durante 12 horas consecutivas, uma noite inteira, os cidadãos podem externar seus instintos de violência mais básicos: podem matar, pois ninguém será punido. É uma noite de expurgação. No segundo filme da série Uma noite de crime, o roteirista e diretor James DeMonaco amplia os horizontes ao levar os personagens para as ruas, ao invés de os manter no confinamento, como no original do ano passado.
Uma noite de crime: Anarquia acompanha um grupo de personagens que se vê do lado de fora da segurança de suas casas, fugindo de criminosos loucos para acabar com eles e, assim, se purificar. A elite financeira e, não coincidentemente, as mesmas pessoas que estão no poder aprovam e incentivam os atos de violência – chegando a organizar leilões pelo prazer de matar com crueldade. Esse se chamam os Novos Pais Fundadores – um grupo que faz referência aos líderes patriotas que participaram do processo de independência dos EUA.
Rituais de sacrifício – seja num reality show qualquer, de Big Brother a esses envolvendo famosos dançando, ou na ficção, em Jogos Vorazes e afins – ganham uma nova dimensão na era da superexposição: a noite de caçada é televisionada ao vivo e em tempo integral. E é impressionante – pois a utopia é dialética, trazendo dentro dela a distopia. Nessa noite é quando fica mais evidente.
O filme acompanha um casal, Shane (Zach Gilford) e Liz (Kiele Sanchez), que não consegue voltar para casa por conta de um defeito no carro; Eva (Carmen Ejogo) e sua filha Cali (Zoë Soul), que são obrigadas a sair de casa depois que esta é invadida; e um sujeito que se intitula sargento (Frank Grillo), o único deles que escolheu estar na rua, e não por acaso.
Por acaso formam um grupo e tentam sobreviver até o próximo dia. Enquanto cruzam as ruas – que tem não apenas assassinos em potencial, mas também armadilhas para pegar presas – ouvem-se gritos, jorra sangue, isso se torna a norma. Contra ela, no entanto, surge uma facção rebelde. Aqui, sua participação é pequena, mas aponta que DeMonaco pode ter munição para um terceiro filme, e, com ele, concluir uma possível trilogia que diz muito sobre o estado das coisas.
