Nos anos de 1930, o Sr. Kaplan, ainda criança, conseguiu fugir da Polônia, antes que os nazistas acabassem com sua família. Agora, aos 76 anos de idade – e interpretado por Héctor Noguera – ele vive em Montevidéu.
Aposentado, e com muito tempo sobrando, Jacob passa o tempo comprando brigas tolas com sua mulher (Nidia Telles), com quem está casado há 50 anos, e dando uma preocupação ou outra aos filhos, Isaac (Gustavo Saffores), um empresário, e Elias (Hugo Piccinini), um escritor e pai da única neta do protagonista, Lottie (Nuria Flo).
Quando ouve a garota comentando sobre um sujeito conhecido como “o nazista” (Rolf Becker), dono de uma lanchonete à beira-mar, e também fica sabendo que um criminoso de guerra foi encontrado na Argentina e extraditado para Israel, onde será julgado, Kaplan insiste que irá capturar esse sujeito. Não há qualquer evidência do passado daquele homem, mas por ele usar sempre mangas compridas, o protagonista persiste em suas conclusões precipitadas.
Com a ajuda de Wilson Contreras (Néstor Guzzini, de Tanta Água), Kaplan começa seu plano para prender “o nazista”. Daí vem um pouco de humor do filme – que trata o assunto com certa leveza, mas com respeito – com as situações inusitadas e na comédia de erros envolvendo a dupla.
Escrito e dirigido por Álvaro Brechner, o filme encontra na dupla Jacob e Wilson seu ponto forte. Não é difícil imaginar o caminho que vão percorrer e tudo o que vão aprender sobre si mesmos e a vida. Essa previsibilidade, no entanto, tira um pouco da graça do filme que, em certos momentos, traduz uma preocupação com grandes lições. Ainda assim, Noguera e Guzzini têm muito a oferecer, e suas interpretações conseguem ser maiores do que seus personagens.
