20/07/2026
Documentário

Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos

Premiado documentário de montagem parte de inúmeras imagens de arquivo, visando constituir uma espécie de memória do século XX.

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O estranho título foi extraído do portão de um cemitério do interior de São Paulo. Parece apropriado, já que este criativo documentário propõe-se a ser uma memória do século XX que, variando segundo duas correntes, ou já acabou ou vai pelos últimos dias.

A grande maioria das imagens foi obtida em arquivos, em geral internacionais, incluindo filmes antigos, fotos, reportagens de TV. Ilustres desconhecidos dividem a cena com personagens-chave, como Sigmund Freud, Lênin, Pablo Picasso, Iuri Gagárin. Mas não se trata de uma mera colagem. Embora não haja diálogos, só música, legendas costuram relações entre os personagens - como uma linhagem de soldados, de gerações sucessivas, cada um morto numa guerra. São relacionamentos fictícios, mas bem que poderiam ter sido verdadeiros. De fato, sua ficção anda muito próxima de uma realidade possível e isso é o que torna o filme tão apaixonante de se ver. Nada mais apropriado para este clima do que a música sensível de Wim Mertens, que assinou a trilha sonora do drama Entre o Inferno e o Profundo Mar Azul, da belga Marion Hänsel.

Apesar de condensar tanta informação, o filme dura apenas 73 minutos e consumiu não mais do que R$ 140.000, baixíssimo até em termos da indústria nacional. Tempo mesmo o diretor estreante Marcelo Masagão gastou na pesquisa do século XX - cerca de três anos -, fora a edição deste verdadeiro maremoto de imagens, que consumiu cerca de 2.000 horas. Valeu a pena, tanto pelo resultado, quanto pelo grande número de prêmios - o de melhor filme no III Festival de Cinema Nacional do Recife, melhor documentário no XVIII Festival Internacional do Uruguai e melhor filme da competição internacional do IV Festival Internacional de Documentários.

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