Conhecido por roteirizar importantes filmes nacionais como Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977), Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981) e O Beijo da Mulher-Aranha (1984), Durán também dirigiu A Cor do Seu Destino (melhor filme no Festival de Brasília, em 1986), o premiado Proibido Proibir (2006) e Não se Pode Viver Sem Amor (2010).
À primeira vista, o arco inicial de Romance Policial é simplíssimo: um funcionário público, Antônio (Oliveira), quer ser escritor e viaja ao deserto de Atacama para uma imersão de autodescoberta e inspiração. Chegando a San Pedro, cidade local, testemunha um assassinato, mas a polícia o vê como principal suspeito, em especial o oficial Martinez (Álvaro Rudolphy, escolhido como melhor ator coadjuvante no Cine PE, no ano passado).
A narrativa vai ganhando substância a partir do envolvimento de Antônio com a dona da pousada, Miriam (Roxana Campos, melhor atriz coadjuvante no Cine PE), que conhecia o morto e forma um triângulo amoroso com Martinez. Ciente do ofício de autor, Durán monta o mosaico a partir dos segredos pouco a pouco revelados, não só desses personagens, mas da população local, que leva aos tempos da ditadura pinochetista, tema recorrente.
O diretor e roteirista investe a partir desse ponto em duas dimensões com a ajuda da (excessiva) narrativa em off feita por Antônio. De forma metafórica, trabalha com a solução do caso (o que se poderia chamar de “real”), conjuntamente ao romance em criação do novíssimo escritor (ficcional). Ambas se confundem, numa dualidade confusa, encerradas mais tarde com o desfecho detalhado.
Com competente fotografia de Luís Abramo (frequente colaborador de Durán), que se apoia na ambientação causticante do deserto, a produção conta também por um trabalho envolvente do elenco. Mas é na resolução e no ritmo que o filme demonstra suas fragilidades que, embora não sabotem a produção como um todo, podem causar certa frustração ao espectador, seja pela história em si, seja pela expectativa sobre Durán.
