20/07/2026
Terror

Jessabelle - o passado nunca morre

Depois de sofrer um acidente, a jovem Jessie é obrigada a voltar à casa do pai, em sua cidade natal em Louisiana (EUA). Não demora muito para ela perceber uma presença estranha no local, que a levará a cultos vodus e segredos familiares.

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Ambientar um filme de terror na região pantanosa da Louisiana (EUA) para aproveitar sua fotografia sombria não é novidade. Muito menos se beneficiar de caricaturas extraídas das reminiscências da cultura vodu na região, como faz, aqui, o diretor Kevin Greutert (de Jogos Mortais 6 e 7) em seu morno Jessabelle – o Passado Nunca Morre.

Em 2005, o cineasta inglês Iain Softley trabalhou esses elementos com muito sucesso em A Chave Mestra, estrelado por Kate Hudson. Porém, na nova produção roteirizada por Robert Ben Garant (conhecido pela atuação pirada na série de TV Reno 911), esses ingredientes não a salvam da falta de tensão e clichês, que tentam ser compensados por um exagerado número de sustos.

Quem se sobressai é a atriz Sarah Snook (de O Predestinado) que faz o papel de Jessie. Ela atravessa a história experimentando as piores desgraças. Já nos primeiros cinco minutos sofre um acidente de carro com o namorado. Perde a criança que esperava, a mobilidade das pernas, o futuro marido e ainda é obrigada a voltar para sua cidade natal, na Louisiana, para viver com o pai (David Andrews), a quem não conhece direito.

Chegando à casa, um lugar degradado e horripilante, ela passa a ter pesadelos (normalíssimo para qualquer pessoa que vivesse ali) e visões de uma outra jovem morta (visualmente semelhante a Samara, da versão americana de O Chamado). A situação agrava-se quando Jessie encontra uma série de vídeos que sua mãe (Joelle Carter), morta pouco depois de dar à luz, gravou durante a gestação.

Depois de um rápido “eu te amo minha filha”, as mensagens maternas alertam para a existência de espíritos na casa, que a jovem irá morrer subitamente e ainda que a mãe era clarividente e tinha ligação com cultos vodus. Os recados colocam Jessie em suspense e, com a ajuda de um namorado de escola, Preston (Mark Webber), começa a escavar os segredos de família e das presenças que a cercam.

Nas entrelinhas do que se vê na tela, é até possível entender a ideia de ressurgimento étnico e cultural, na forma do espírito que acompanha Jessie, que está esquecido. Mas a falta de substância do roteiro e o estereotipamento da crença vodu impedem que essa compreensão tenha solidez.  

Apesar dessas limitações, a produção tem um criativo uso da trilha sonora (editada por Greg Hedgepath, de Frozen – Uma Aventura Congelante), que ajuda Greutert a criar nos silêncios muitas das situações de suspense que o filme atinge, mas afinal sustenta insatisfatoriamente.
 
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