Mesmo falando em termos de cinema, o próprio assunto do filme também não é novidade para Spacey. Ele atuou numa história muito parecida em O Sucesso a Qualquer Preço, onde se retratava a concorrência feroz entre corretores de imóveis. Aqui, é o universo de vendedores de lubrificantes o que movimenta a engrenagem dramática, com foco fechado em apenas três personagens, trancados quase o tempo todo numa suíte de hotel em Wichita, no Kansas.
É um mundinho limitado em todos os sentidos. Larry (Spacey), o exibicionista agressivo, Phil (Danny DeVito), o experiente cauteloso, e Bob (Peter Facinelli), o novato carola, compõem a trinca que lidera uma convenção de sua empresa, apenas para tentar fazer a venda de suas vidas. Passam ali o tempo todo envolvidos na preparação a um ritual de caça a um grande figurão, de quem conhecem apenas o nome, mas não a fisionomia. Ou seja, uma situação em que o risco de fracasso é enorme e o conflito entre as personalidades opostas é inevitável.
Sem dúvida, o filme é um pacote todo montado para realçar o brilho do talento inegável de Spacey, que movimenta com maestria todos os seus músculos teatrais, sem negar espaço a uma boa atuação do parceiro DeVito - restando ao novato Facinelli nada mais do que fazer o papel de bobo que lhe foi reservado desde o roteiro.
O problema é que o filme se ressente deste seu formato teatral e de sua excessiva fixação nos diálogos - muitos magníficos, é verdade. Num deles, Larry diz aos colegas: "Eu não fumo, Phil não bebe e Bob nem sonharia em correr atrás de outra mulher que não fosse a dele. Juntando nós três, somos praticamente Jesus". Mas este ambiente não chega a ser tão atraente assim para manter a atenção de uma platéia. E os 91 minutos do filme parecem muito, muito mais.
