Fotógrafo profissional, André viveu em Londres por mais de 20 anos. Formou uma família, teve filhos, separou, casou de novo, teve outro filho. Enfrentou altos e baixos e agora se prepara para voltar ao Brasil. Em Nova York, Socorro, de 87 anos, faz as malas para voltar para casa, depois de ter morado com o filho, Fernando, em Nova York, por 24 anos.
- Por Neusa Barbosa
- 11/11/2015
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Documentário que focaliza duas situações de brasileiros de volta ao país, depois de vários anos morando no exterior, o filme de José Joffily e Pedro Rossi, sofre de um desequilíbrio estrutural importante – a história do fotógrafo André Câmara, que viveu 20 anos em Londres, é muito mais rica e dramática do que a de Fernando e sua mãe, Socorro Monteiro, de 87 anos, que viveram em Nova York 24 anos (apenas ela está de volta).
Não é um problema que o tema ventilado no título seja difuso – afinal, a incerteza de quem refaz o percurso de retorno ao próprio país muitas vezes é assim mesmo, um processo incerto, fragmentário, indeciso. A questão é outra: André, um fotógrafo profissional, está no meio de um inferno pessoal, pressionado pela falência, por pendências com uma ex-mulher (com quem teve 3 filhos) e também pelas incertezas da atual esposa, hesitando sobre sua vinda para o Brasil. Neste sentido, a cena de uma desavença deste último casal tem um peso de humanidade impagável, que traduz todo o impasse da vida de André – que usa uma prótese na perna, situação que o filme nunca explica.
Mesmo as conversas com o pai, que tenta alertar André de que o país que ele deixou há duas décadas não é o mesmo para onde ele pretende voltar, têm uma verdade e uma complexidade que os diálogos entre Fernando e Socorro jamais alcançam. Porteiro de um prédio, Fernando casou de novo e ganhou cidadania americana. Agora, sua mãe, que viveu com ele nos EUA por mais de duas décadas, sem jamais dominar o inglês, quer reencontrar suas raízes. Mas a situação desta família sempre parece tão mais simples e isenta de conflito do que a outra que o filme oscila num desequilíbrio.
Sente-se a falta de outros personagens mais fortes, que materializassem a proposta que o filme apenas esboça, mas nunca encontra – o que é uma pena, considerando-se a ótima história do fotógrafo.
