O documentário produzido pela TV Cultura investiga a vida e obra a artista plástica nipo-brasileira Tomie Ohtake, morta em fevereiro passado aos 102 anos. Dirigido por Helio Goldsztejn, o filme traz, além do vasto material gravado com a própria biografada dos arquivos da TV, depoimentos de familiares, amigos e especialistas.
Logo no início, ela mesma diz que gostava de desenhar desde pequena, mas se casou e teve dois filhos – os arquitetos Ruy e Ricardo Ohtake. “Deixei o gosto para cuidar deles”, relembra. Isso não a impediu de, anos mais tarde, retomar seu apreço pela arte e construir uma carreira impressionante desde o início dos anos de 1950.
É por meio de depoimentos de pessoas próximas que conhecemos um pouco mais da artista, o que acaba revelando mais sobre sua obra. “Era uma pessoa que comemorava a vida”, diz sua nora, Mary Junqueira. Essa alegria de viver se reflete em suas pinturas e esculturas. É por meio de depoimentos, que resgatam e analisam sua obra que vemos esse reflexo.
A arte de Tomie é brasileira, sem se esquecer de influencias nipônicas – ela nasceu em Quioto e veio para o Brasil em 1936 visitar um irmão, e acabou tendo de ficar aqui, quando estourou a guerra. Conforme lembra um entrevistado, a artista costumava dizer: “Minha obra não tem que ser bonita. Minha obra tem de ser expressiva”. E, a julgar pelos depoimentos e análises, ela consegui alcançar seu objetivo.
