Susan é JoJo Floss, uma escritora abalada pela perda trágica da única filha, a jovem Diana (Careena Melia), morta a tiros por acaso numa noite em que esperava o pai, Ben (Dustin Hoffman) numa lanchonete em frente ao escritório dele. A tragédia é tanto maior na medida em que se preparava o casamento de Diana com Joe Nast (Jake Gyllenhaal). Daí, os pais e o noivo têm de se preocupar com as providências do enterro ao mesmo tempo que com a desmontagem da festa de casamento.
Sobra para o noivo, por exemplo, ir à agência de correio recolher os convites para a cerimônia que já estavam para ser despachados. Neste lugar, ele conhece a jovem Bertie (Ellen Pompeo), que, do alto da intuição de quem também esconde uma cicatriz emocional, identifica em Joe uma alma gêmea e logo, alguma coisa mais do que um ombro amigo.
Esta insinuação de um romance, de uma vida que segue - como entrega o óbvio título brasileiro - é um fator a mais de complicação para o jovem. Afinal, depois da morte da noiva, ele está morando com os pais dela e tornou-se, sem querer, um filho substituto, uma tábua de salvação, especialmente para Ben, que o torna seu sócio no escritório de corretagem de imóveis.
O atrativo maior na história de Silberling vem justamente de como foi capaz de abordar temas como a dor, a perda de alguém querido e a reconstrução da própria vida evitando o batido caminho da pieguice. Não que não haja clichês, mas ao menos o diretor e roteirista revela o esforço de procurar uma forma mais sóbria de tratar destes assuntos. E faz um filme digno, com várias passagens de humor saborosas - como a cena em que Susan Sarandon atira ao fogo da lareira a pilha de manuais de auto-ajuda que recebeu de amigos para enfrentar a dor. Ao compor esta história, o diretor provavelmente exorciza sua ligação pessoal com o tema. Em 1989, Silberling namorava a atriz de TV Rebecca Schaeffer, que foi assassinada aos 22 anos, na frente de sua casa, em Los Angeles, por um fã perturbado a quem dera um autógrafo minutos antes.
Cineweb-15/11/2002
