Este também deveria ser o caso de Visões do Passado, escrito e dirigido pelo australiano Michael Petroni, mais conhecido pelos roteiros adaptados ao cinema das obras A Rainha dos Condenados (2002), As Crônicas de Nárnia - A Viagem do Peregrino da Alvorada (2010), O Ritual (2011) e A Menina que Roubava Livros (2013). Mas, por opção, o cineasta parece desistir no meio do caminho, enfraquecendo o apelo de sua história.
Estrelado pelo ator americano Adrien Brody (consagrado em O Pianista, de 2002), o longa tem como protagonista o psicólogo Peter Bower, atormentado pela recente morte de sua filha. Impotente frente ao sofrimento da esposa (Jenni Baird) e apático em relação aos seus problemáticos pacientes, tem como apoio seu mentor, o Dr. Duncan (participação especial de Sam Neill).
O conflito real tem início quando uma misteriosa garotinha aparece em seu consultório, que logo descobre se chamar Elizabeth Valentine (Chloe Bayliss). A menina não fala e ninguém parece vê-la além do psicólogo. Mas escreve num papel números que, a princípio, não fazem sentido.
A compreensão sobre que exatamente eles significam levará Peter a perceber que todos ao seu redor têm alguma relação macabra com um acontecimento trágico de sua adolescência, incluindo o acidente fatal que levou sua filha, que o levará diretamente à sua cidade natal, False Creek.
Na parte técnica, o trabalho surpreendente do diretor de fotografia Stefan Duscio, que coordena sua paleta abusando do cinza e azul, e a tensa edição de som de Tara Webb (Babadook, 2014 e Mad Max: Estrada da Fúria, 2015), dão ao filme uma soturna atmosfera de amargura (combinada com a atuação correta de Brody). Mas as qualidades da produção param por aí.
