18/07/2026
Documentário

No vermelho

Nos farois de Belo Horizonte, como em todas as cidades brasileiras, algumas pessoas se especializam em trabalhos que são exercidos ali: vendedores de frutas e doces, artistas circenses e cantores independentes. Em entrevistas, eles contam como ´so sobreviver nesse ambiente.

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“No sinal fechado/ele vende chiclete/capricha na flanela e se chama Pelé”. Os versos iniciais da canção Pivete, de Chico Buarque, identificam o cenário do farol, que há muito não é só o local de parada de automóveis, mas ponto comercial para dezenas de comerciantes autônomos em todo o Brasil.
 
Eles vendem de tudo – chicletes, balas, doces, frutas, canetas, ferramentas, brinquedos, tomadas de celular. A lista é infinita. E as atividades não se esgotam no comércio. Há muito que os artistas autônomos descobriram que a parada do farol pode ser uma boa chance de ganhar um trocado entre um sinal vermelho e um verde.
 
O documentário No Vermelho, de Marcelo Reis, radiografa alguns desses personagens que se acotovelam diariamente diante das janelas dos carros em faróis de Belo Horizonte. E revela que essas vendas requerem, não raro, toda uma infraestrutura, como é o caso de uma família que vende frutas. Todo dia, eles madrugam em direção ao Ceasa local para comprar seus produtos, dividir as caixas, fechar as cotações do dia. Nada improvisado, como um comércio qualquer.
 
Um músico independente também encontrou nesse cenário o local apropriado para vender seus CDs. Assim como uma dupla de artistas circenses, especializando-se em desenvolver coreografias de urgência nesse tempo apertado, a céu aberto, diante de um público não raro apressado e distraído, eventualmente agressivo. Atraí-los também faz parte do desafio.
 
Alguns dos depoimentos mais interessantes são aqueles que revelam as análises dos “faroleiros” de seu público – é aí, também, que se dão algumas interações interessantes, quando eles quebram a reserva de quem se encastela dentro do carro e redescobre, enfim, alguma cordialidade.
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