Filmes romenos, tais como os icebergs, costumam guardar muita coisa oculta abaixo da superfície. É o que acontece neste novo trabalho do premiado Corneliu Porumboiu (Polícia, Adjetivo), que explora as aventuras/desventuras de um trio de homens em busca de um tesouro perdido, dentro de uma contenção dramática que às vezes faz lembrar de um Buster Keaton.
Com o toque cômico/amargo que é típico do cinema romeno, acompanha-se um funcionário público, Costi (Cuzin Toma), associado a um vizinho arruinado, Adrian (Adrian Purcarescu), para buscar um suposto tesouro, que estaria escondido no terreno da velha casa de campo de seu avô. O mais absurdo é que a história baseia-se – vagamente - em lendas familiares da vida do avô de Purcarescu. Sua família, que era nobre, tinha terras em Islaz, região que viveu uma breve revolução em 1848. Décadas depois, as terras foram desapropriadas pelo governo comunista e, com a queda do regime, foram requisitadas e devolvidas à família do ator.
Não há, evidentemente, nenhum compromisso documental na evolução da narrativa. Para permitir a prospecção do jardim da casa, Costi contrata um operador de detetor de metais (Corneliu Cozmei). A própria contratação deste homem é um pretexto para abordar o bom e velho jeitinho para driblar dificuldades, típico também da Romênia. Como o aluguel da máquina é caro demais para os dois amigos, o funcionário oferece fazer o serviço por fora.
A exploração do terreno, em busca do tesouro, torna-se cada vez mais rocambolesca. Não há indícios de onde estaria enterrado, nem do que ele consiste exatamente. Assim, o terreno da casa é revirado, com o detetor de metais emitindo ruídos estranhos e entrando em pane a toda hora. Os três homens parecem três patetas, envolvidos numa empreitada duvidosa e secreta, tentando não chamar a atenção dos vizinhos e, especialmente, da polícia – já que existe uma lei que os obrigaria a declarar qualquer achado, tido como “patrimônio nacional”.
Não é o melhor filme deste diretor mas, de vários modos, comenta também a crise econômica que varre a Europa com ironia peculiar. Lançado mundialmente na mostra Un Certain Regard 2015, obteve ali o prêmio Un Certain Talent.
