23/07/2026
Terror

Demon

Depois de conhecer a noiva pela Internet, Piotr vai da Inglaterra ate uma zona rural na polônia para se casar. No entanto, quando escava o terreno de sua futura casa, dada pelo sogro, encontra um esqueleto humano. Será o início de uma conturbada cerimônia de casamento em que o noivo será perseguido pelo espírito que, sem querer, despertou.

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Há uma grande dose de inspiração em O Iluminado, clássico de Stanley Kubrick (1980), no último filme realizado pelo diretor e roteirista polonês Marcin Wrona, morto pelas próprias mãos no final de 2015, pouco depois deste filme rodar o mundo em festivais de cinema fantástico, como o de Autin e o Sitges.  

Da dramaticidade da trilha sonora, criada pelo famoso compositor polonês    
Krzysztof Penderecki (de O Iluminado e O Exorcista) e o recorrente colaborador de Wrona, Marcin Makuc, à sinistra fotografia de Pawel Flis (de O Batismo), Demon se compõe de acertadas escolhas para formar um vigoroso suspense sobrenatural.
 
Baseado na peça Adherence, do dramaturgo polonês Piotr Rowicki, a trama muda o contexto de criminalidade para a ensandecida festa de casamento de Piotr (Itay Tiran) e Zaneta (Agnieszka Zulewska). Eles se conheceram pela internet, graças ao irmão da noiva, Jazny (Tomasz Schuchardt), e o rapaz viaja da Inglaterra à zona rural polonesa para casar.

Apesar do sogro de Piotr achar a relação apressada, ele decide patrocinar a festa e, ainda, o futuro lar do casal. Mas quando conhece a casa, por um acidente, o noivo encontra um esqueleto humano enterrado no jardim. Esse é o começo dos tormentos que levará não só para o altar, mas à caótica confraternização local.

A fonte do conflito vem do folclore judaico, a partir do conceito de Dibuk, espírito que se ata aos vivos para cumprir desejos ou ambições não realizados em vida. O tema já havia sido abordada um uma produção recente norte-americana mediana, Possessão, mas aqui ganha mais projeção.

Como tudo se passa em menos de 24 horas, o roteiro não consegue investir em processos lentos de possessão ou na apresentação da complexidade dos múltiplos personagens que invadem a tela, trazidos pela festa de casamento. E a narrativa corre para colocar tudo no lugar nos enxutos 90 minutos de duração.
 
Wrona usa o sobrenatural judaico como uma metáfora e isso fica bastante transparente ao longo da produção. “O país inteiro foi construído sobre cadáveres”, chega a dizer um personagem, em uma visão de Polônia tão perturbadora do que o desfecho de Demon.
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