18/07/2026
Comédia

La Vanité

David é um arquiteto com uma doença terminal que pede ajuda a uma instituição para cometer suicídio. Uma funcionária aparece para o auxiliar, mas antes do ato final, precisam de mais uma testemunha.

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Em La Vanité, o suíço Lionel Baier (Longwave - Nas Ondas da Revolução) consegue realizar um pequeno milagre: uma comédia sobre eutanásia repleta de delicadeza e sagacidade. O assunto é espinhoso, mas a presença do trio central de atores e o respeito com que o diretor aborda o tema transformam o filme numa celebração da vida.
 
Poderia ser uma peça de teatro – com seus diálogos precisos e enxutos 74 minutos. O diretor, que assina o roteiro com Julien Bouissoux, praticamente confina seus personagens a um quarto de um hotel decadente e a partir dali fala não apenas da condição humana, mas também da Europa contemporânea. David Miller (Patrick Lapp) é um arquiteto viúvo que, com os dias contados, conforme diz, pede ajuda a uma espécie de ONG ligada a serviços de suicídio assistido.
 
Ele chega ao local, numa pequena cidade suíça, e descobre que está vazio, mesmo havendo uma conferência nos arredores. As pessoas, informa o recepcionista, preferem um outro hotel, mais moderno. Logo descobre-se que a construção, um tanto ousada e que já viveu seus dias de glória, foi um projeto de David e sua mulher – por isso a escolha desse hotel para suas últimas horas.
 
A espanhola Esperanza (Carmen Maura) foi a pessoa enviada para ajudar na condução do suicídio de David. A presença da atriz almodovariana já introduz um toque de humor negro, especialmente pela forma pouco convencional como os fatos se sucedem – como se num caso desses houvesse algo minimamente convencional. Num primeiro momento, eles conversam, pois, como ela mesma explica, precisa se certificar de que ele está certo de sua decisão. Memórias do passado poderiam persuadi-lo do contrário.
 
Quando finalmente os rituais devem começar, precisam de uma segunda testemunha. A única opção é um imigrante ilegal russo que está no quarto ao lado. Trata-se de Treplev (Ivan Georgiev), um garoto de programa que, com o dinheiro que ganha sustenta a família, que ficou no leste europeu.
 
É a partir desses elementos que Baier cria situações de humor, mas também de meditação sobre o que é ser humano no mundo de hoje. Os personagens são muito bem delineados e interpretados, por Lapp, Carmen, e, especialmente, por Georgiev, que não faz feio ao lado dos veteranos, criando uma figura bastante carismática. Embora emotivo – como não sê-lo com um tema desses –, La Vanité nunca exagera na sua emoção. Se, ao final, conquista lágrimas, é graças à sua honestidade e inteligência. 
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