03/06/2026
Drama

Charlote SP

Depois de uma temporada na Europa, Charlote retorna a São Paulo. Ela se diz transformada – chegou a andar de metrô em Londres! -, e quer conhecer melhor sua cidade. Seu amigo aspirante a cineasta, Scorsésar, irá a ajudar, e fazer um filme sobre suas aventuras.

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Charlote SP é divulgado como o primeiro longa metragem brasileiro inteiramente feito com um smartphone. A priori, isso não seria um problema – vide o excelente norte-americano Tangerine, realizado nos mesmos moldes –, mas o resultado final apenas evidencia uma certa precariedade com que foi feito.
 
Dos movimento de câmera/celular, que vai aos pequenos trancos, aos problemas gritantes de continuidade (repare nas taças numa cena de almoço) poderia até se fazer vista grossa, mas somados a uma trama e personagens repletos de clichês tudo fica mais evidente, e nada se salva. A protagonista é Charlote (Fernanda Coutinho) modelo internacional que volta ao Brasil depois de uma temporada em Londres. “Estou mudada, pai”, confessa ao telefone, “andei até de metrô. Agora quero andar de metrô aqui também”. E ele responde: “Daqui a pouco está comprando roupa na 25 de março, e comendo churrasco grego na Praça da Sé”.
 
Pelo retrato que faz da elite, está claro que o roteirista e diretor Frank Mora quer fazer uma crítica da elite, a partir de um tal despertar de consciência (social, pessoal, tanto faz – entrou até para uma ONG!) de sua personagem central, que vive a base de Ritrovil e cigarros. Ela reencontra seu amigo cineasta, Scorsésar (Guilherme Leal), que resolve fazer um filme sobre Charlote em São Paulo. Seguem, então, os clichês da cidade – Teatro Municipal, bairro da Liberdade, Centro Cultural São Paulo, cinema na Paulista e afins – acompanhando Charlote pelas ruas.
 
Charlote SP começa e termina com uma narração feita pelo pai da moça – um empresário que tem duas namoradas – e faz uma delas de gato e sapato. No começo do longa, ele diz: “Nada acontece no meu coração, quando eu cruzo a Ipiranga com a São João”, e termina com o lema da cidade: “Não sou conduzido, conduzo”. O personagem é caricato – apesar do esforço do ator Fernão Lacerda – e dessa forma uma tal crítica à elite paulistana se esvazia antes mesmo de começar. Sorte mesmo tem o escritor Evandro Affonso Ferreira, que, numa participação no longa, diz não gostar de cinema, e nunca vê filmes. Enfim, ele será poupado.
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