A comédia americana Irmã é cheia de som e fúria juvenil – com sua trilha sonora de rock pesado – em torno de uma jovem freira em crise ao confrontar o seu passado. Um tema recorrente do cinema independente do país, mas que ganha novo fôlego nas mãos do roteirista e diretor Zach Clark.
A protagonista é Colleen (Addison Timlin), religiosa moradora do lar Sisters of Mercy (uma leve piscadela do diretor para a ironia desse também ser o nome de uma banda de rock gótico). Prestes a fazer os seus votos, ela volta para a casa dos pais (Ally Sheedy e Peter Hedges), para se reencontrar com o irmão Jacob (Keith Poulson), que acaba de retornar da guerra no Iraque, com o rosto ferido.
A casa fica em Asheville, na Carolina do Norte, um choque diante de sua nova realidade em Nova York. Mas o choque maior será quando se deparar com seu antigo quarto, que está exatamente como ela o deixou, pintado de preto, com pôsteres de bandas de heavy metal e rock gótico. Além disso, revê a mãe, que há pouco tentou o suicídio, e o pai, que nunca superou o fracasso de sua carreira como ator.
Situado em 2008, quando Barack Obama foi eleito, Irmã faz um comentário sobre o cenário atual dos Estados Unidos, sem a pressão de transformar-se num filme histórico, ou sobre a história. É sobre como a vida de pessoas comuns é a somatória de suas escolhas e das escolhas dos outros (especialmente públicas).
A atriz Addison Timlin (Namoro ou Amizade) está impressionante como essa jovem num momento crucial de sua vida em que passado e presente colidem, e decisões precisam ser tomadas. Seus amigos de antigamente não a reconhecem, mas ela se reconhece como a Colleen freira do futuro? É nessa dinâmica do quem foi, quem é e quem será que o personagem e o filme crescem.
