Com locações no Benin, Paris e Salvador, o filme refaz a trajetória do etnógrafo e fotógrafo Pierre Verger, com depoimento de várias pessoas que conviveram com ele, em todos estes lugares. Além de vasto material documental, com fotos e textos produzidos ao longo de sua vida, há a inclusão da última entrevista dada pelo fotógrafo, um dia antes da sua morte, em 11 de fevereiro de 1996.
Verger, encantou-se pela cultura negra da Bahia, mas principalmente pelos ritos do candomblé. Iniciado por Mãe Senhora, ele aprofundou seus conhecimentos na religião, através de inúmeras viagens à Africa, onde se tornou babalaô e recebeu o nome de Fatumbi. O narrador Gilberto Gil, que às vezes fala mais que o depoente, mas sem comprometer, reestabelece a ponte Bahia-África, iniciada pelo fotógrafo no final da década de 40. As pesquisas desenvolvidas pelo diretor Lula Buarque de Hollanda e pelo roteirista Marcos Bernstein resgata uma descoberta de Verger, quase desconhecida dos brasileiros, a existência de descendentes de escravos que retornaram à África, e que cultivam as influências culturais levadas por seus ancestrais.
O diretor constrói algumas cenas, como se o ângulo tivesse sido decidido por Verger, tal a fidelidade de algumas imagens com o trabalho do fotógrafo. São 82 minutos de duração, mas poderia até ter mais, a vida do etnógrafo francês é tão interessante quanto a leveza e exuberância das imagens captadas por Lula Buarque.
Este documentário marca o início da distribuição de filmes brasileiros pelo Grupo Estação, que há 15 anos, distribui e exibe filmes estrangeiros, priorizando, documentários, filmes experimentais e independentes.
