25/08/2026
Documentário

Curumim

Um dos dois brasileiros executados na Indonésia, em 2015, Marco "Curumim" Archer teve uma juventude dourada no Rio de Janeiro, onde ele nasceu um menino rico e bonito, sendo instrutor de asa-delta e viajando pelo mundo. Quando ele se envolve com tráfico de drogas, acaba preso na Indonésia e condenado à morte. O filme o mostra na prisão e entrevista diversas pessoas que o conheceram.

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O documentário de Marcos Prado (Estamira), que teve première mundial no Festival de Berlim, em fevereiro, traça o perfil de Marco “Curumim” Archer, um dos dois brasileiros executados na Indonésia por tráfico de drogas em 2015. Contando com recursos como uma câmera clandestina – contrabandeada para dentro da prisão pelo próprio Archer -, acompanha-se vários meses de sua vida no cárcere, ao longo dos 11 anos que permaneceu no corredor da morte, permitindo uma rara visão por dentro dessas condições no limite.  
 
O diretor situa seu filme de maneira a evitar julgar seu personagem – que ele conheceu ligeiramente na adolescência, quando Archer era um “menino do rio”, que surfava no píer de Ipanema. Foi, aliás, o próprio Archer quem lhe pediu que fizesse um filme sobre ele, de algum modo pressentindo que não teria saída. Prado o faz com distanciamento, procurando revelar fragmentos que possam dar pistas de quem realmente foi este homem, que nasceu bonito, em família rica e talentoso para esportes (foi professor de asa-delta), mas enveredou por um caminho autodestrutivo, terminando seus dias dividindo uma cela com terroristas islâmicos e assassinos perigosos - alguns dos quais foram poupados da pena capital por terem obtido os meios para corromper as autoridades locais, um fenômeno crônico que o filme explora a partir de diversos depoimentos, como de um italiano que dividiu também a cela com Marco, foi condenado à morte por tráfico mas conseguiu safar-se com a ajuda de sua família para “financiar” sua libertação.
 
O filme não suaviza aspectos mais polêmicos do personagem, ouvindo também amigos que o conheceram na juventude dourada em Ipanema. De um modo oblíquo, fornece material para uma discussão séria sobre drogas e pena de morte, sem querer ter um discurso pronto nem a palavra final sobre nenhum dos dois temas.
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