19/07/2026
Documentário

Axé: Canto do Povo de um Lugar

Documentário traça um panorama histórico do gênero axé, desde suas origens nos anos de 1980 até o presente. Nessa jornada musical, o filme resgata ícones e momentos importantes da música e do carnaval da Bahia. O longa conta com depoimentos de artistas como Luiz Caldas, Sarajane, Daniela Mercury e Ivete Sangalo.

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No documentário Axé: Canto do Povo de um Lugar, o diretor Chico Kertész investiga o gênero musical desde seu início, na Bahia dos anos de 1980, até o presente. Nesse processo, acabou se tornando um dos mais famosos e rentáveis no Brasil. Partindo das origens, que envolvem o estúdio WR e o cantor Luís Caldas (responsável por sucessos como “Nega do cabelo duro” e “Haja Amor”).
 
A partir disso, Kertész segue mais ou menos a ordem cronológica, abordando a popularização do gênero com nomes como Chiclete com Banana e Sarajane. O caminho percorrido pelo axé vai da Bahia para o restante do Brasil até atingir o circuito internacional quando Paul Simon e Michael Jackson vieram à Bahia para gravar com o Olodum – embora sejam usadas imagens dos dois cantores no Brasil, muito pouco é mostrado, no documentário, das músicas com o grupo baiano.
 
Entre os momentos marcantes está o show de Daniela Mercury, que na época nem era tão famosa, no Vão Livre do MASP, em 1992, num projeto que levava shows à Av. Paulista na hora do almoço. Nunca antes um desses espetáculos havia atraído tanta gente – tomando todo o espaço e parte da rua, parando o trânsito. A cantora conta, no documentário, que a direção do museu pediu para a apresentação ser interrompida, pois as obras de arte estavam balançando.
 
Entre uma anedota e outra, com o resgate de muitas imagens de arquivo, o documentário coloca o gênero em perspectiva dentro da cultura brasileira. De algo renegado até atrair a atenção das classes mais altas, e sua consequente elitização e “branqueamento” – uma questão muito pertinente para o presente, mas que é tocada de leve, com a fala de um entrevistado, que aponta perda do protagonismo do negro dentro do axé. Curiosamente, o filme termina com o nome mais quente do gênero no momento: Saulo, um rapaz loiro - provando a tese da perda do protagonismo do negro no gênero.
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