03/06/2026
Drama

A espera

Num casarão na Sicília, uma mulher recebe a namorada de seu filho nos dias que antecedem a Páscoa. A garota espera pela chegada dele, mas há muitas coisas que ela desconhece.

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A paisagem vulcânica da Sicília, assim como a Páscoa, servem como fortes metáforas visuais, narrativas e emocionais para o drama A Espera, que marca a estreia na direção do italiano Piero Messina – assistente de Paolo Sorrentino em A Grande Beleza. Inspirado numa peça de Luigi Pirandello, A vida que te dei, o longa traz Juliette Binoche como uma mãe enlutada pela perda do filho.
 
Ela é Anna, francesa que mora num casarão na Itália desde seu casamento. O filme começa com o funeral do rapaz e se constrói a partir de pequenos detalhes. A chegada de Jeanne (Lou de Laâge) causa um grande estranhamento. Ela é a namorada francesa do rapaz, mas ainda não sabe de sua morte. E Anna também não contará, dizendo-lhe que o funeral era de seu irmão. Como na casa moram apenas ela e um empregado (Giorgio Colangeli), não é difícil manter a farsa. Jeanne, por sua vez, de nada desconfia. Deixa recados a todo momento na caixa postal do celular do namorado, e, aos poucos, trava uma relação com Anna.
 
Situando a trama na Semana Santa – chegando ao clímax no Domingo de Páscoa – há uma clara metáfora aqui sobre o que é a espera. Messina nem sempre é sutil em seus objetivos, mas ainda assim as interpretações da dupla central são delicadas e contidas. Binoche está especialmente bem como uma verdadeira matrona italiana sofrendo em sua dor silenciosa.
 
À medida que o filme avança, Messina também abraça o simbolismo religioso – “Waiting for a miracle”, de Leonard Cohen, na trilha é mais um deles – que culmina numa procissão (com imagens cedidas pela TV Vaticano). É nesse diálogo entre o sacro e o profano que o filme encontra sua força – especialmente quando mergulha no segundo.
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