O fato de a animação A Bailarina contar com a respeitada bailarina francesa Aurélie Dupont (diretora do balé da Ópera de Paris) como coreógrafa do filme diz muito sobre como os diretores Eric Summer e Éric Waris estão tratando a dança aqui: com todo respeito. Por isso, embora a trama seja um tanto previsível, a beleza visual e apuro técnico conseguem superar essa limitação.
A protagonista é Félicie, garotinha que foge do orfanato com um amigo, Victor. Ela sonha em ser bailarina na Ópera de Paris; ele, inventor. Chegando à capital francesa, alguns incidentes a levam a morar com Odette, faxineira do teatro e também da casa de uma madame mesquinha e má. A pequena protagonista irá trabalhar com ela, mas um incidente a coloca em uma aula na escola dos seus sonhos.
Summer é estreante em cinema, e Warin trabalhou no departamento de animação de As Bicicletas de Belleville. Juntos concebem uma Paris efusiva diante da modernização. O período é o final do século XIX, quando a Torre Eiffel está sendo construída. Victor arruma um trabalho na oficina do próprio engenheiro, com quem sonha em desenvolver asas com que os humanos possam voar.
É bom ver um filme dedicado ao público infantil que tem como tema central a busca de uma espécie de realização pessoal – sem animais falantes com piadas tolas, ou a busca pelo príncipe ideal. Embora bata na surrada tecla dos sonhadores realizando seu sonho, A Bailarina transforma o tal sonho em algo muito mais interessante.
