03/06/2026
Drama

A jovem rainha

No século XVII, a jovem princesa Cristina assume o trono da Suécia. Criada como um príncipe, ela usa trajes masculinos, cavalga e maneja o florete como qualquer homem. Culta, ela é amiga de filósofos e quer acabar com guerras. Mas escandaliza a corte protestante ao envolver-se romanticamente com uma de suas camareiras.

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O finlandês Mika Kaurismaki estreia em filme de época com uma produção internacional com toda cara de telefilme, para revisitar a história da rainha sueca Cristina (Malin Buska), que viveu entre 1626 e 1689.
 
A moça, que subiu ao trono aos 18 anos e governou seu país por 10, marcou época por diversos motivos: vestia-se como homem, dominava o florete, era muito culta, amiga do filósofo francês René Descartes (Patrick Bauchau) e acabou com a Guerra dos Trinta Anos, que dividia protestantes e católicos na Europa. Além disso, causou escândalo que ela sempre recusasse casar-se e dar um herdeiro ao trono e mantivesse uma tórrida paixão com sua camareira, a condessa Ebba Sparre (Sarah Gadon).
 
Tudo isso é material de sobra para um filme, mas a produção, apesar de cuidada, não tem a ousadia e a vibração suficientes para se tornar marcante. Com boa reconstituição de época, em termos de cenários e figurinos, o filme mostra-se um pouco engessado no modo como delineia o dilema de Cristina – criada numa redoma, cultíssima, amiga das artes e da educação e sonhando em tornar Estocolmo uma nova Atenas mas aprisionada nas convenções da corte e da moral protestante de seu país.
 
Poderia ser mais bem explorada essa eclosão precoce de um poder feminino e jovem numa Europa machista e esclerosada por seus tabus religiosos. Cristina vestia-se como um príncipe e lutava como um – mas esperavam que ela se rendesse às limitações impostas às mulheres de sua época, mesmo as rainhas. Aí, a solução que ela encontra, abdicando, foi muito sui generis – e sua derradeira declaração de liberdade. Uma personagem interessantíssima, sobre a qual pairam lendas, como de que teria sido hermafrodita – não foi à toa que o papel interessou até à diva Greta Garbo, sueca como ela.
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