20/06/2026
Documentário

Do outro lado do Atlântico

Jovens africanos da comunidade da língua portuguesa realizam cursos universitários em Redenção (CE). O filme retrata suas experiências, choques culturais, integração com colegas brasileiros e eventuais surpresas, como com episódios de racismo.

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Um ativo fluxo de jovens africanos chega regularmente ao Brasil para realizar cursos universitários. Originários de Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Angola e Timor, numa espécie de diáspora às avessas, encaram de frente um choque cultural, apesar de serem todos provenientes da comunidade da língua portuguesa. Falar a mesma língua não os protege de estranhamentos quanto ao comportamente e à comida e, muito pior, de episódios de racismo, que eventualmente os surpreendem.
 
Esse é o tema do documentário Do outro lado do Atlântico, de Daniele Ellery, que tem o mérito de colocar um espelho diante do país mais negro da América Latina, apresentando como suas contradições são vistas por esses visitantes privilegiados, estudantes que, em geral, vieram para o estado do Ceará.
 
Muitos vão para a Unilab, universidade localizada em Redenção, a 2h de Fortaleza. Uma cidade pequena, que sofre o impacto da chegada dessa nova população de sotaque, roupa e hábitos diferentes. Nas salas de aula, eles se misturam aos locais, muitos deles os primeiros universitários de famílias da zona rural, eles mesmo enfrentando outros desafios diante de realidades novas – para esses jovens brasileiros, é quase, também, como atravessar um oceano, só que de um histórico de desigualdade ou pobreza.
 
Retratando uma série de personagens simpáticos e muitos expressivos – como Janine, caboverdiana e aluna de engenharia na Universidade Federal do Ceará, também modelo; e Ronnie, que fez o exame do Enem três vezes até conseguir entrar na UFC e teve que trabalhar num ferro-velho para concluir o curso -, o filme compõe um mosaico humano rico dessas diferenças culturais e não só. Também pega o pulso de uma juventude que vem de todos esses lugares mas também do Brasil. E faz pensar no impacto que a educação e os intercâmbios podem ter para modificar mentalidades e atitudes mediante o encontro, a festa e a celebração das diferenças.
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