Mulher do pai é um filme de fronteira, com uma história que se passa perto da linha divisória entre o Brasil e o Uruguai e muito próxima de outra linha, imaginária e física, que aproxima e também separa pessoas. Essa linha é mais sutil e pode ser transposta quando menos se espera.
Para Nalu (Maria Galant) e Ruben (Marat Descartes), pai e filha que vivem próximos e ao mesmo tempo distantes, a morte de Olga (Amélia Bittencourt), mãe de Ruben, vai alterar a geografia familiar, instalada em um rincão onde o território de dois países se confundem e os sentimentos seguem o mesmo caminho.
A família vive da tecelagem caseira. Cada um cuida de uma etapa do processamento da lã, de forma rudimentar, da mesma forma que se processa a troca de afeto, lenta e em silêncio.
A cidade é pequena para conter a ansiedade e a curiosidade da adolescente Nalu, que passa o dia entre a escola e a casa da amiga Elisa (Fabiana Amorim). Ruben é cego e depende da mãe e da filha para andar pela casa de roça e para se alimentar. Tudo é econômico: o que se põe no prato, o que expressa. O tempo é elástico.
Rosario (a uruguaia Verónica Perrotta), professora de artes de Nalu, passa a frequentar a casa da aluna e se oferece para dar aulas de escultura em argila para Ruben. Nesse território de fronteiras invisíveis, a relação com Nalu não será mais a mesma, assim como a do pai e a filha.
O filme venceu três prêmios no Festival do Rio: melhor direção (Cristiane Oliveira), melhor atriz coadjuvante (Verónica Perrotta) e melhor fotografia (Heloísa Passos).
