Em Mar Inquieto, seu primeiro longa solo, o diretor gaúcho Fernando Martelli se propõe uma tarefa em que o cinema nacional não tem se mostrado, em geral, tão eficiente até aqui – realizar um thriller com um leve toque sobrenatural. A realização atabalhoada apenas confirma que continuaremos esperando por bons filmes nacionais do gênero.
Com roteiro assinado por Martelli (que também é escritor) e Tiago Rezende, o filme acompanha as desventuras de Anita (Rita Guedes), uma ex-drogada que foi tirada do vício por Vitorino (Daniel Bastreghi), um delegado que se torna seu marido. Vitorino é um homem violento, que bate na mulher e força relações sexuais, transformando em pesadelo a esperança de Anita neste relacionamento.
Paralelamente ao drama familiar, Anita ouve vozes que parecem vir do mar – ela mora numa casa isolada junto à praia. O fenômeno das vozes é uma das lendas locais, ao lado dos óvnis e do roubo de corpos do cemitério. Nada disso é apresentado consistentemente no filme, que falha, em primeiro lugar, na composição de um ambiente convincente. Mal se vê essa localidade junto à praia, onde vivem poucos moradores.
Um dos poucos ambientes mostrados em detalhes é o bar, comandado por Azevedo (Eri Johnson). E ali se juntam tipos sinistros da pior espécie, num lugar tenebroso, inclusive em termos de machismo.
A história entra em seu trecho mais complicado a partir de um assassinato, do qual Anita e sua melhor amiga Paula (Áurea Baptista) vão unir forças para apagar os vestígios. Depois disso, só piora em todos os sentidos, inclusive no de que a lista de cadáveres aumenta de forma inversamente proporcional à mais mínima lógica narrativa.
Muito fraco no desenvolvimento de suas situações e personagens, o filme não dá conta de um enredo no fundo bastante simples. Falta uma estruturação mais precisa dos elementos da história, inclusive os paranormais, que parecem jogados no meio dela e desaparecem à medida que o filme se encaminha para o final.
