Há uma dupla de personagens um tanto recorrentes no cinema e televisão que, com o tempo, se tornou óbvia e enfadonha: a mãe infantilizada e a filha super-ajuizada. Não chega a ser uma ideia ruim, mas é preciso uma grande sacada para injetar algum fôlego à dinâmica – o que não é o caso de Tal mãe, Tal Filha (um título que, se se pensar bem, não faz muito sentido, afinal as personagens aqui são completamente diferentes).
Marie Dominque, Mado (Juliette Binoche), está às portas dos 50 anos e se recusa a amadurecer – não seria algo tão ruim assim, manter a jovialidade, não fosse o fato de seu comportamento só causar transtornos às pessoas ao seu redor. Especialmente à sua filha, Avril (Camille Cottin), de 30 anos, que mora no apartamento da mãe, com o marido, Louis (Michaël Dichter), que apenas estuda e não trabalha.
Quando Avril anuncia aos seus pais – seu pai é um maestro interpretado por Lambert Wilson – e aos pais do marido (Catherine Jacob e Philippe Vieux) que está grávida, Mado surta, e acaba passando a noite com o ex-marido. Pouco tempo depois, também descobre-se grávida e acaba coagida pela filha a abortar. Porém, a mulher se atrapalha com os comprimidos e decide manter a gestação sem contar a ninguém.
Dirigido por Noémie Saglio (do equivocado Beijei uma garota), Tal mãe, tal filha é um filme que não se encontra em seu humor, em seus personagens – todos desequilibrados em maior ou menor grau, e, de certa forma, insuportáveis enquanto personagens. Binoche é uma grande atriz dramática, mas não tem timing para comédia. Fora isso, há um comentário levemente moralista contra Mado durante todo o filme, caracterizada como a infantilóde que precisa a todo custo amadurecer – talvez um novo filho possa ser o responsável por isso.
