18/07/2026
Experimental

Manifesto

Cate Blanchett interpreta diversos monólogos nos quais revisita alguns dos principais manifestos da história da arte.

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Uma série de manifestos da história da arte, como o futurista, o dadaísta, da Pop Art, do Fluxus e o Dogma, são as fontes de inspiração do roteiro deste peculiar filme do diretor Julian Rosefeldt, oferecendo à talentosa atriz Cate Blanchett a oportunidade de interpretar 13 papeis.
 
Em cada um deles, ela encarna uma visão do que a arte é, ou deve ser, corporificando um momento histórico e uma série de conceitos que a passagem do tempo coloca em xeque. Ela é vista, por exemplo, como uma mendiga arrastando seu carrinho e um cachorro por entre ruínas de um complexo industrial, defendendo em altos brados a arte revolucionária. Num outro quadro, dos mais divertidos, ela é uma mãe de família cuja oração antes da refeição à mesa discorre sobre a necessidade da liberdade de expressão da arte – uma prece longa demais, para desespero dos filhos, loucos para devorar sua comida. Na sala ao lado, vê-se uma série de animais empalhados, fazendo sugestões à imaginação do espectador.
 
Numa outra sequência, ela é uma operária vestida de branco, num ambiente antisséptico onde se desenvolve arte de alta tecnologia, monumental e fria. Em outra, ela é uma viúva que vocifera um discurso de enorme agressividade diante de uma cova aberta. Mas o segmento mais engraçado é mesmo aquele em que Cate interpreta uma professora primária, apontando aos pequenos alunos cada um dos postulados do Dogma 95, que tornou famosos diretores como Lars von Trier e Thomas Vinterberg.
 
O nome da atriz vencedora de dois Oscar por O Aviador e Blue Jasmine certamente atrairá um público maior a este filme muito peculiar, que materializa uma discussão difícil de acompanhar para os não-iniciados nos meandros deste tipo de debate estético. Mas quem se interessa de algum modo por arte e suas teorias terá diante de si um relato instigante, eventualmente auto-irônico.
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