08/06/2026
Drama

Patti Cake$

Loura, gordinha e arrimo de família, Patti é garçonete em Nova Jérsei e sonha um dia tornar-se uma estrela do rap, ao lado dos amigos Jheri, que trabalha numa farmácia, e Basterd, um caladão que mora ao lado de um cemitério.

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Candidato a filme cult independente da temporada, Patti Cake$,do estreante em longas Geremy Jasper, centra seu foco numa musa anticonvencional – Patti (Danielle Macdonald), que apesar de gorda, pobre, suburbana, sonha tornar-se uma rapper de sucesso, exibindo energia e talento de sobra para isso. Mas quem enxerga essa moça, garçonete escondida num bar em Nova Jérsei?
 
Embora sofredora de todo tipo de discriminação e bullying da pesada – os garotos de sua vizinhança só a chamam de “Dumbo” -, Patti não tem nada de vítima nem é chegada a um mimimi. Bem pelo contrário – ela encara todas as suas paradas de frente. Não tem uma mãe que a apoie. Bem pelo contrário, a sua, Barb (Bridget Everett), apesar de ter sido cantora quando jovem, não lhe dá a menor sustentação. Para ela, rap nem é mesmo música. E, por sua infantilidade, ela pesa nos ombros da filha como se fosse ela a criança da família.
 
A avó (Cathy Moriarty) é outra coisa. Apesar da diferença geracional, é ela quem ouve com atenção as letras violentas e pornográficas compostas pela neta e lhe dá a maior força. Mas essa avó tem problemas sérios de saúde e depende ainda mais do sustento de Patti, que se desdobra catando todo tipo de trabalho extra que pode encarar.
 
Seus parceiros no mundo musical são discriminados como ela: Jheri (Siddarth Dhananjay), jovem de origem indiana a quem o apelido mais leve que pregam é “Bollywood”; e Basterd, ou o Anticristo (Mamoudou Athie), um afro-americano tímido e quase mudo que termina integrando o trio que sonha com uma carreira musical.
O roteiro, também de autoria de Geremy Jasper – assim como as letras das músicas de Patti -, pontua uma busca de sonho que tem muito em comum com diversas trajetórias vistas em filmes diversos. Mas estes deslocados da sorte têm uma afinidade entre si que não brota em qualquer lugar e é, isto sim, fruto de seu talento e da direção inspirada deste cineasta novato e promissor.
 
Uma boa medida é temperar a dureza da vida desta turma com toques precisos de humor – como a inusitada participação da avó, em sua cadeira de rodas, das gravações de um demo com o qual os garotos pretendem conquistar um lugar na competitiva cena do rap. A história de cada um deles, em seus detalhes estritos, tem tudo para compor a maior tragédia. Mas não é nisso que nenhum deles está interessado. O sol fica sempre mais adiante e é preciso ir atrás. Não falta energia a esta heroína que desafia, entre outras coisas, os padrões estéticos endeusados pela mídia. Ela é plus size não só na cintura, como no talento e na vontade de conquistar seu merecido palco. Não há como não torcer por ela.
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