A diretora chilena Lissette Orozco, ao confrontar sua tia Adriana, durante entrevistas para um documentário, descobriu que ela era integrante da Dina, a temida polícia política secreta do regime de Augusto Pinochet, e acusada por presos políticos de participar de sessões de tortura. E de gostar do que fazia.
Vencedor do troféu Bandeira Paulista, concedido na Competição Novos Diretores da 41ª Mostra Internacional 2017, o filme tira os véus de uma personagem que era admirada na família e, até onde se sabia, ganhava a vida como funcionária administrativa, sem nenhum envolvimento na guerra suja da ditadura chilena.
Vivendo na Austrália, onde é alvo de um pedido de extradição da justiça chilena, Adriana é acusada de ter participado ativamente dos órgãos de repressão militares mas nega veementemente, aos prantos, as tentativas de envolvimento de seu nome. Quando começou o documentário, Lissette ligou a câmera para que a tia se defendesse (via skype). Ela própria não tinha certeza da participação de Adriana na máquina de tortura militar, mas à medida em que as conversas foram se prolongando e a diretora passou a ter acesso a outras fontes do período, começou a deixar as dúvidas de lado.
Mais do que uma história de esqueletos ocultos em armários familiares, O pacto de Adriana é um paciente trabalho de pesquisa, ainda que com algumas fragilidades de ritmo e direção, mas que em nada prejudicam o resultado final da obra. O espectador pode sair da sessão com dúvidas a respeito da culpabilidade de Adriana, mas saberá que ela teve toda oportunidade para se defender, ao contrário de muitas vítimas que foram lançadas de helicóptero ao mar com a suposta supervisão de Adriana.
