Rogério Duarte foi um dos nomes mais importantes da Tropicália, mas figuras como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Hélio Oiticica, Gal Costa e a banda Os Mutantes, involuntariamente, acabaram mais conhecidos. O documentário Rogério Duarte - O tropikaoslista tem a missão importante de resgatar a trajetória do designer, ilustrador e músico morto em 2016.
O filme de José Walter Lima resgata seus caminhos pela arte e pela vida. O filme se estrutura em longas entrevistas do biografado, que, nos últimos anos de sua vida, se tornou seguidor de Hare Krishna e morava isolado. Essa foi apenas uma das fases do artista, que já fora marxista e tropicalista.
Nos anos de 1960 e 1970, foi responsável por alguns dos cartazes mais importantes do cinema brasileiro como de Deus e o Diabo na terra do Sol e Idade da Terra, ambos de Glauber Rocha, Cara a cara, de Julio Bressane, e Opinião pública, de Arnaldo Jabor, além de capas de discos de Caetano, Gal e Gil. Na Tropicália, Duarte foi o mentor intelectual do movimento, além de responsável por sua, digamos, identidade visual.
O filme de Lima, ao resgatar o percurso de seu biografado – colocando lado a lado momentos do passado e do presente, como numa retrospectiva do artista no MAM-RJ, em 2011 – procura os ecos do passado no Brasil do presente, investigando como a arte foi capaz de figurar a época da ditadura. Embora um tanto convencional na forma, o longa dá conta de apresentar essa figura peculiar (seus depoimentos são ótimos), especialmente para novas gerações, cujos cartazes de filmes são feitos depois de um brainstorm por uma equipe de marketing.
