O documentário, dirigido por Leo Garcia e Zeca Brito, acompanha a trajetória do jovem talentoso de Passo Fundo (RS), filho de dono de jornal, que tomou gosto pela profissão ainda menino. Sua grande característica era a de criar os próprios jornais onde escrevia ou participar de projetos gráficos inovadores, onde editava e escrevia.No primeiro caso, O Pasquim; no segundo, o suplemento Folhetim, encartado nas edições dominicais da Folha de S. Paulo, e o melhor caderno cultural dos anos 80 da imprensa paulista.
Com entrevistas saborosas, a dupla de diretores ouve antigos companheiros de redação de Tarso, como o cartunista Jaguar, Sérgio Cabral, Luiz Carlos Maciel, e ex-mulheres, que recordam seu poder de sedução. Nessas conversas emerge a figura de Tarso, sempre polêmica. Há quem lembre que os inimigos o consideravam mau caráter, mas em sua maioria os entrevistados o absolvem.
Hoje não há espaço no jornalismo cultural para o surgimento de profissionais como Tarso de Castro. Ninguém conseguiria escrever com a liberdade que ele escrevia, ninguém conseguiria se manter independente como ele se mantinha. Mas eram outros tempos. Mesmo com censura pesada, havia uma forte resistência intelectual e uma malandragem refinada para furá-la.
Mas Tarso deixou seu legado: João Vicente, seu filho com a estilista Gilda Midani, que integra o grupo Porta dos Fundos. Ele perdeu o pai ainda criança e guarda de recordação, como um talismã, a carteira que Tarso levava diariamente no bolso, recheada de anotações em pedaços de papel, a foto do filho e nenhum dinheiro.
