Gina (Lindsay Burdge) é uma comissária de bordo americana que, de tanto trabalhar, se distanciou do marido (Damien Bonnard), que acaba se matando. Ela conta para as colegas de trabalho que ele morreu – sem mencionar a maneira – e tenta seguir com a vida. No entanto, elas percebem que a garota está deprimida e resolvem aproveitar a noite que têm em Paris, entre um voo e outro. É aí que ela conhece Jérôme (também Bonnard), um sujeito malandro e sedutor com quem passa a noite, e de quem, propositalmente, pega uma conjuntivite – apenas para se sentir mais próxima dele.
A vida de Gina se transforma, e mesmo ele sendo relativamente frio com ela, a moça insiste num romance, larga o trabalho, a vida nos EUA, e se muda para Paris onde, insistentemente, cruza o caminho dele, até conseguir emprego no bar onde ele trabalha e ficar amiga de uma garota com quem ele parece ter um caso – interpretada por Esther Garrel.
Se o drama cômico-romântico dirigido por Nathan Silver começa de maneira um tanto convencional, o diretor se arrisca (nem sempre acertando, nas sempre fugindo do óbvio) por outros caminhos. No fundo, a protagonista – num grande acerto de escalação de Burdge – não consegue lidar com o luto, trabalhar a perda, e isso faz com que cada vez mais se afunde numa espiral de loucura e obsessão que a distanciam da realidade. A atriz é expressiva e a câmera adora captar seu rosto em closes de alegria, sofrimento e conjuntivite.
O filme se transforma junto com ela – especialmente a fotografia de Sean Price Williams –, passando da comédia romântica ao melodrama, jogando na tela referências desde o cinema de Fassbinder até a estética do pornô europeu dos anos de 1970 (com uma piscadela para o pornstache de Bonnard). Pode parecer estranho, mas tudo isso, em certa medida, funciona, porque Silver – corroteirista com C. Mason Wells – está longe do realismo. Sua câmera mira em algo mais estilizado, que lembra a vida, mas não é a vida real. E, ao colocar o mesmo ator em dois papeis diferentes, o filme toma o caminho de uma fantasia que ruma para algo sinistro – e, ainda assim, apaixonado.
