21/07/2026
Documentário

Em um mundo interior

O documentário apresenta depoimentos de pais de crianças e adolescentes afetados pelo autismo e também especialistas envolvidos em seu tratamento.

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Exibido no Festival É Tudo Verdade 2017, o filme dirigido em parceria por Flávio Frederico e Mariana Pamplona mergulha no universo de crianças e adolescentes afetados por alguma forma de autismo, seus pais e alguns especialistas.
 
Atravessando um tema já tratado por diversos outros documentários, este trabalho tem a vantagem de optar por uma abordagem mais humana e humanista do que propriamente científica ou técnica – embora haja uma visível preocupação no rigor também deste segundo aspecto. Esta opção se dá no sentido de resgatar a experiência de cada caso retratado, de cada núcleo familiar já que, como se observa no filme, “não existe um autista igual a outro”.
 
Cada família relata como o problema foi diagnosticado e como lidou com ele – e que pode afetar a parte motora, a linguagem e particularmente a interação social. A disfunção neurológica, de causa desconhecida, aflige cerca de 1% da população mundial, bem mais os meninos do que as meninas (numa proporção de quatro por um) e se traduz, quase sempre, em dificuldades de comunicação.
 
Fiel à sua proposta, o documentário alterna entre informações médicas e testemunhos de pais, carregados de emoção e subjetividade. É assim que o filme coloca cada um dos espectadores dentro dele, sem deixar de fornecer um maior conhecimento sobre tudo o que aborda.
 
Fica claro, assim, que a dificuldade de lidar com a questão vem da própria subjetividade de cada um – as estratégias têm que ser tão individuais quanto a maneira como o problema se manifesta em cada criança. Ir para a escola é bom, sendo garantido um lugar para as crianças especiais, convivendo com alunos sem a mesma disfunção - o que é estimulante e também desafiador para ambos, mas permite aprendizados mútuos. Um grande desafio é que o autista não lida bem com o imprevisto, daí a ritualização que se observa em suas repetições de atitudes. O uso de medicação é igualmente discutido caso a caso.
 
De todo modo, as várias experiências relatadas em que a disfunção foi enfrentada com as melhores ferramentas da ciência não deixam de ser confrontadas com horrores gerados pela ignorância, que eventualmente ainda ocorrem, como a situação de um garoto mantido restrito a uma espécie de “jaula”, dos 15 aos 27 anos. Sua libertação e ida a uma praia é uma dessas cenas intensas de um filme voltado a suscitar empatia.
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