Em um filme protagonizado por Mark Wahlberg e dirigido por Peter Berg não é difícil imaginar o que vai acontecer. Essa é a quarta parceria da dupla – que já se juntou em O Grande Herói (2013), Horizonte Profundo: Desastre no Golfo (2016), O Dia do Atentado (2016) – e segue basicamente a cartilha que estabeleceram, com o ator como o herói salvando pessoas e o dia.
Escrito pela estreante Lea Carpenter, o roteiro parece não levar em conta que a Guerra Fria já acabou, e começa com um time de elite invadindo uma casa repleta de espiões russos. A mensagem do prólogo é clara: eles não perdoam quem mexe com os Estados Unidos. Depois disso, a trama avança no tempo: num país asiático fictício, Indocarr (na verdade, na Colômbia), a equipe de Wahlberg, cujo personagem é James Silva, está na embaixada americana quando é procurada por um policial local, Li Noor (Iko Uwais, astro indonésio de filmes ultraviolentos), que diz ter segredos comprometendo a corporação local e por isso pede asilo aos EUA. Para garantir que seja atendido, ele diz saber a localização de um carregamento de material radioativo roubado por terroristas.
Como uma das questões é a alta tecnologia, Noor guardou a localização do material num HD que se autodestruirá em 8 horas e só liberará o código depois que for tirado de seu país. Uma das primeiras cenas do personagem é impressionante e serve para mostrar o talento de Uwais para a pancadaria, como se fosse um balé de morte e destruição com sopapos e pontapés. Depois disso, o policial é colocado dentro de um carro e, com a equipe liderada por Silva, deverá chegar ao aeroporto para seguir para os EUA.
Nesse momento, 22 milhas se torna um videogame. O grupo precisa transportar “o pacote”, como Noor passa a ser chamado, de um ponto a outro e eliminando inimigos pelo caminho. O resultado não é destituído de certa tensão, mas também não é muito empolgante, por ser um tanto previsível. As cenas ocorrem de maneira tão rápida que tudo se torna confuso e banal. Não que o forte do filme seja os personagens ou a trama, mas, por um tempo, tudo isso fez algum sentido.
Com apenas 90 minutos, porém, Berg eliminou qualquer gordura que pudesse saturar seu filme, o que é uma vantagem. Isso não o impede, no entanto, de parecer mero afago no ego de Wahlberg, o americano branco martirizado em nome da democracia e paz mundial.
